Que babaca!

Talvez o título desse post seja inadequado, mas foi a primeira expressão que saiu da minha mente quando um amigo e cliente de coaching me falou o que aconteceu com ele. Pedi autorização para escrever. 

Temos trabalhado muito sua socialização com o mundo gay. É um homem bonito, tem 45 anos, três apartamentos, dois carros, é viajado,  bem sucedido, tem bom caráter e é bem humorado. Alguém que faria qualquer sogra sorrir…

 

Ontem finalmente ele marcou um encontro com alguém com quem vinha trocando mensagens. Educado, chegou ao restaurante 15 minutos antes, bem a tempo de sentar na mesa e receber uma mensagem: “Não poderei ir!”. Imediatamente também foi bloqueado no facebook e whatsapp.

O que está acontecendo? Não basta toda homofobia que tem por aí? Precisamos nos tratar desta forma?

Vou tentar fazer uma comparação com um heterosexual.

Se um homem faz isso com uma mulher ele é um canalha e um baita de um babaca.

Se um homem hetero sai contando para seus amigos quem “comeu” e contando detalhes das partes íntimas da mulher para os outros ele também é um babaca.

Preciso acrescentar algo ao meus post anterior  3 motivos para os relacionamentos estarem cada vez mais vazios (clique para ler): Os tempos não estão difíceis apenas para os sonhadores, mas também para os educados.

Até sexo está difícil. É fácil entender porque apesar de toda liberdade sexual hoje se faz menos sexo que antigamente.

Depois de um dia extenuante trabalhando e malhando para manter o status e o corpo sarado é preciso ter uma performance sexual digna de um pornô onde gritos como “Me fode, me fode” e “Dá leitinho, dá leitinho” são mais importantes que suspiros, peitos arquejando e sussurros.

 

No vídeo do Põe Na Roda – Como é ser gay e idoso? (clique e veja) um dos testemunhos é de José Gatti, onde bem no final ele diz que vai chegar o dia onde a sexualidade não vai importar, o que vai importar é o quanto você pode contribuir com os outros.

Estamos longe disso? Acho que avançamos muito…

Assim como tem homens heteros babacas, existem muitos heteros legais. Assim como existem homens gays babacas, existem muitos, muitos mesmo, gay legais.

Enquanto avançamos como humanidade vale a dica: Mais amor por favor, com outro tanto de gentileza.

O que você diria para esse meu amigo e cliente que ficou sozinho no restaurante?

Um elefante na sala de estar

Se você tem uma família que realmente se diverte no Natal saiba que pertence ao seleto grupo de 10% de famílias funcionais. Vamos chamar isso de “famílias que funcionam”, ou seja, são lugares felizes, com pessoas que você ama e confia e no meio das quais pode ser você mesmo, sem máscaras e longe da hipocrisia diária dos relacionamentos sociais.

Caso tenha se identificado com o parágrafo acima este artigo não é para você. Siga em frente e leia outra coisa.

http://www.andrekummer.com.br/wp-content/uploads/2016/12/simpsons-homer-familia.jpg

Segundo o médico Carlos Hecktheuer 90% das famílias são disfuncionais. Uma família disfuncional é aquela em que os conflitos, a má conduta e muitas vezes o abuso por parte dos membros individuais ocorrem contínua e regularmente.

Você conseguiu se identificar com isso? Ótimo! Você é normal!!!

Afinal quem não tem um tio chato, um beberrão, uma tia velha neurótica ou alguém que resolve se vestir de vermelho e branco e insiste em cantar “Jingle Bells”, além é claro do tradicional cunhado com a piada de todo ano: “É pavê ou pacumê?”

Fique calmo, você pode sempre ligar a TV e assistir o Natal da Globo. Eu assisti todos. O Natal com os Trapalhões, com a Xuxa, com o Faustão, Sertanejo… Fui razoavelmente redimido com a TV a cabo. Mas a coisa pode se estender para Missa do Galo.

Com tudo isso você pode resolver passar o Natal sozinho. É uma boa solução, meio nostálgica mas razoável.

Pode passar com os amigos que são a família que escolhemos.

Pode passar com a família do seu namorado ou namorada. Se você é gay vai ser apresentado para a tia como “amigo”, ao que ela vai responder com um: “Haaammm…”

Mas é bem melhor quando existam crianças no Natal. Elas realmente acreditam em Papai Noel, elas adoram a comilança, se divertem de verdade, amam os presentes – que vão muito além de camisetas, cuecas, meias ou um chocolate – e a felicidade delas de certa forma nos contagia. Um Natal apenas com adultos é mais chato.

Mas mesmo com essa família, meio maluca, que todos temos… Mesmo com as mágoas e ressentimentos… Essa noite tem algo mágico. É talvez a única noite do ano que nós acreditamos que o mundo pode ser melhor e que o ser humano não é totalmente mau.

Nesta noite queremos esquecer que existe um elefante gigantesco na sala de estar de casa… E no mundo.

Nesta noite, apenas nessa noite, queremos acreditar como as crianças… ACREDITE!!

Uma coisa sem a outra

Hoje a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), completa 68 anos. Essa declaração delineia os direitos humanos básicos, e foi adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de dezembro de 1948.

No seu Artigo 1° está escrito: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.  

Vamos imaginar que você está tentando traduzir isso para seu filho de 6 anos de idade…

“Seres humanos” é fácil. É a mesma coisa que “GENTE”.

Dignidade e direito também. Hoje todo mundo entende que tem direitos, mesmo uma criança de 6 anos entende isso. Afinal todos queremos ter direitos. A parte dos deveres é que está meio… Bem, não está nesse artigo. Vamos pular isso.

“Espírito de Fraternidade” poderia ser explicado como: Seja bonzinho e legal com todo mundo.

Mas a parte difícil seria explicar o que é um ser dotado de razão e consciência…

Mensurar o quanto de razão e o quanto de consciência caracterizam um ser humano é impossível, e esse é meu trabalho diário.

Eu não sou um massagista de tantra, eu não sou um psicanalista, eu não sou nada além de um monte de certificados de cursos e faculdades que podem ser pendurados na parede.

O que eu faço de verdade é escutar pessoas e encontrar razão e consciência na forma com que levam  suas vidas.

As pessoas que escuto são na maior parte homens gays que buscam uma vida com mais dignidade. Uso para isso diversas ferramentas  de autoconhecimento para desenvolver a razão e a consciência.

Homens gays não gostam de “se trabalhar” ou fazer terapia. Muitos, independente do nível socioeconômico e cultural agem como crianças dentro de uma relação afetiva e não querem reviver um passado sem validação e (auto) aceitação, ficam presos em uma negação e autossabotagem que se alastra sorrateiramente.

Um processo de autoconhecimento dói? Sim. Mas você não pode ter uma coisa sem a outra.

Dói crescer, dói se olhar no espelho da alma… Mas é muito melhor do que ser arrastado para o pântano imemorial da mediocridade e falta de dignidade humana.

Uma vida sem razão e consciência nos torna presas fáceis do consumismo, do sexo fácil, de relacionamentos desastrosos, das drogas, da raiva e da ansiedade… No caso dos homens gays especialmente a questão Relacionamentos Desastrosos.

“Por mais que certas questões relacionais sejam comuns a todos os indivíduos e casais, afirmar que casais são casais, não importando sua orientação e identidade sexual, é no mínimo um reducionismo. Para mim, essa atitude é inaceitável .” diz Klecius Borges em seu livro Muito Além do Arco-Íris.

Hoje é um dia especial. Especial pela  Declaração Universal dos Direitos Humanos e também porque o Instituto Nacional de Propriedade Industrial e Intelectual (INPI) deferiu a mim a patente do nome GAY LIFE COACH, COACH LGBT e suas variações no Brasil.

Se eu consegui, e continuo conseguindo a cada dia, razão e consciência em minha vida… Então você consegue.

Você quer?

Gay Life Coach

Pegue Agora os Últimos Sapos Solteiros

Eu sempre solto um longo suspiro quando alguém fala em encontrar seu príncipe ou princesa, o pessoa certa, a pessoa perfeita.

Eu sei que o “Felizes Para Sempre”  está inconsciente e perigosamente internalizado nessa pessoa. Afinal nós vimos esse final muitas vezes na infância. Obrigado Sr. Walt Disney! Eu amava meu álbum da Disney quando criança.

Hoje, talvez a segunda parte de Cinderela, cansada dos protocolos do palácio e com saudades do borralho, larga o príncipe que se transforma em um cantor sertanejo. Não sei bem como isso ficaria no inconsciente das crianças, assoladas desde cedo com essa cantinela, quando forem adultas. Caso consigam.

Algumas pessoas quando se apaixonam, projetam sobre o outro as suas fantasias, expectativas, sonhos e esperanças. O outro tem que vestir adequadamente esta imagem internalizada pelo outro.

Internalizada porque muitos negam que querem isso… Mas a verdade é que se o outro não vestir sapateiam e gritam: “NINGUÉM QUER NADA SÉRIO!!!!”  Ou arrumam alguma outra desculpa racional que pareça muito madura e civilizada…

Mas continua sendo uma desculpa idiota que nem você mesmo consegue engolir a coisa toda à noite sozinho em sua cama…

Sempre gostei da madrasta com seu espelho mágico. O espelho dizia o que ela queria ouvir. Quando disse a verdade ela ficou bem zangada…

Você pode se ferrar com a verdade, que o diga a madrasta, mas é bem melhor do que dançar com esquilos e anõezinhos e terminar em um caixão de vidro esperando alguém lhe desencantar…

Bem, alguns gostam do caixão de vidro e ficam nele a vida toda.

Um coach, como eu, vai te deixar escolher, em algum momento, uma maçã envenenada ou o espelho da verdade.

A maçã envenenada são os relacionamentos funcionais. Apesar de faltar um pouco de amor, entrega e o sexo não ser o que se esperava… Funciona. Parece que falta um pouco de sal, mas funciona…

Mas em algum momento você deve decidir entre viver com essa sensação de que falta algo ou falar a verdade.

A primeira escolha poderá levar você a procurar fora da relação, em algum momento, e de formas diversas, um pouco mais de sal.

A segunda opção, falar a verdade, abre caminho para intimidade.  Estar nu não significa intimidade. Na verdade estar nu com alguém apenas fisicamente, mas não de alma nua, é o que produz frustração, raiva e tristeza.

A verdadeira intimidade está em uma simples e descomprometedora frase:

EU SINTO FALTA DE TAL E TAL COISA, OU QUE VOCÊ FAÇA ISSO OU AQUILO, OU DE OUVIR ISSO OU AQUILO… ESTÁ TUDO BEM PARA VOCÊ FAZER OU FALAR SOBRE ISSO?

Se essa for sua decisão precisará enfrentar seus medos e ansiedades e ficar de alma nua em frente ao outro, isso pode resultar em um desastre e até mesmo o fim do relacionamento.

Mas talvez trazer LUZ para o que estava escondido o surpreenda e possa, junto, iniciar uma relação mais honesta, verdadeira, realista e finalmente encontrar a paz interior.

Relações onde algumas coisas NÃO DEVEM ser ditas talvez funcionassem até algum tempo atrás quando uma das pessoas ficava em casa fazendo deliciosas receitas e usando o melhor sabão em pó do mercado, enquanto a outra chegava, ligava a TV, abria uma cerveja e perguntava: O que temos para o jantar amor?

Príncipes existem sim! Além de Harry de Gales você pode ver outros disponíveis abaixo na busca que fiz pelo google.

Mas talvez seja a hora de você perceber que o outro tem o direito de ser quem ele é e não precisa atender a todas as suas demandas emocionais. Osho dizia que a confiança é mais importante que o amor. Se você não confia, ou arrisca confiar, o amor não acontece, ou é apenas uma maquiagem na sua vida perfeita.

Talvez seja a hora de começar a beijar o sapo…

O que acha?

 

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Hussein, Jordania, 21 anos

 

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Philippos, Grécia, 30 anos

 

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Sebastian, Luxemburgo, 24 anos

 

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Sheikh Hamdan, Emirados Árabes Unidos, 34 anos





Ele É e Basta!

O nome de batismo dele era João. Filho de pai rico, dono de uma grande rede de comércio. Um dia cansou da vidinha boa. O pai disse que se fosse embora iria sem nada. Aceitou. Tirou o terno Armani, o relógio MontBlanc, a carteira e os sapatos Prada.Parecia cena de novela. Todo mundo correu para ver o filhinho do chefão andando pelado pelos corredores. Antes de sair pegou um saco de algodão usado para limpar o chão com a faxineira terceirizada. Na rua não chamou atenção. Era mais um surtado na multidão e ninguém tinha tempo para mais um maluco.

Arrumou uma terrinha no interior e foi viver meio hippie, meio permacultor. Dali um tempo um amigo chegou, depois outro e outro… Todos cansados da vidinha sem sentido que estavam vivendo.

O nome dela era Chiara. Ela veio depois. Encontrou-se com ele escondida por dois anos. Um dia chegou com os cabelos louros raspados e disse: “Vou ficar.”

Eram assexuais. Não transavam. Maluquice total. Um dia ele ficou com muito tesão. Atirou-se em uma roseira. Os espinhos rasgando na carne.

Arrumaram uma casinha para ela ali perto.

Viviam bem. Ele era meio animista, dizia que os animais e as plantas, o sol e a lua eram irmãos. Chamava ela de “minha plantinha”.

O negócio cresceu, veio mais e mais gente interessada pelo novo modelo de economia, sustentabilidade, uma vida mais simples. Logo foi feito um escritório, uma biblioteca, listas de mail, visitas guiadas…

Ele ficou triste. Não era aquilo que queria. Foi falar com ela.

“você foi implacável” ela disse. “Abandonou casa, dinheiro, pais, sociedade, venceu o medo do ridículo e do desprestígio. Abandonou tudo com alegria por algo maior, e se agora sente tristeza é porque não quer abandonar a última coisa: tudo que fez até agora. Ainda não é completamente livre nem feliz… Te solta e dá o salto mortal. Solta o teu ideal, teu sonho com gosto e alegria e entrega a essa realidade que é. Ele É o que É… Então vai saber o que é a perfeita Alegria, a perfeita liberdade e a perfeita liberdade.”

Ele sentiu que o sol nascia dentro de si. Fez o que ela disse.

Ele não foi um Steve Jobs. Não começou na garagem do pai. Não foi um empreendedor. Foi uma pessoa utópica que deu certo, ele viveu fora e à margem do sistema e da sociedade. Talvez se estivesse vivo não gostaria de ver a dimensão que sua idéia de viver com e como os pobres se tornou.

Nós o conhecemos como São Francisco, e ela como Santa Clara.

“DEUS É E BASTA!” Repetia Francisco após a conversa com Clara.

Deus, ou como você quiser chamar, não está precisando das suas orações, está precisando das suas ações.

Isso aconteceu a 800 anos… Mas e se fosse hoje?

E se fosse o seu sonho?

E se você tivesse que abrir mão de tudo, por duas vezes, para viver conforme o seu coração e sua fé?

Você tem fé? Em quem ou no que? Em que circunstância? Porque?

Para saber mais:

A coragem de uma mulher apaixonada

Deus É e basta

 






O dilema dos homens

Abuso de substâncias, hipersexualidade, relacionamentos de curta duração, depressão, doenças sexualmente transmissíveis, fome insaciável por mais e melhor, a necessidade de decorar nossos mundos para encobrir verdades sórdidas… Estes são os nossos tormentos.

Considerando que ser gay já foi considerado crime e doença, hoje nós temos mais oportunidades do que em qualquer outro momento da história, mesmo com as mais altas taxas de depressão e suicídio entre homens gays

A verdade perturbadora é que não somos mais felizes, por praticamente qualquer índice medido hoje. O contrário é a verdade.

Quando olhamos com consciência e atenção para nós mesmos, torna-se inegável que de alguma forma, a vida que estamos vivendo não está nos levando à uma situação emocional melhor.

Tornar-se um homem gay feliz e realizado não tem nada a ver com “aparentar não ser gay”, mas tem tudo a ver com encontrar um caminho através deste mundo que nos ofereça a nossa quota de alegria, realização e amor.

Para o psicólogo americano Alan Downs, existem estágios ou padrões de comportamento, que ele sugere universal a todos os homens homossexuais no mundo ocidental, na forma como o homem gay lida com a sua identidade.

O primeiro estágio é “Oprimido pela Vergonha”, o período de tempo que permanecemos “no armário” e com medo da própria sexualidade.

O segundo estágio é “Compensar a Vergonha ” quando o homem gay para neutralizar sua vergonha, luta para ser bem sucedido, inteligente, irônico, bonito e masculino. Durante esta  fase ele pode ter muitos parceiros sexuais, na tentativa de se sentir atraente, sexy,  amado, em suma,com menos vergonhoso de ser gay.

O terceiro estágio e a fase final é “Cultivando Autenticidade”.

Nem todos os homens gays passam dos dois primeiros estágios. Mas aqueles que o fazem começar a construir uma vida que se baseia em seus próprios valores em vez de provar a todo momento que eles são desejáveis e amados são inegavelmente poucos e mais felizes. O objetivo de todo coach ou terapeuta é ajudar os homens gays alcançar este terceiro fase de autenticidade.

A minha experiência é que homens gays que não estão prontos ou dispostos a trabalhar na sua autenticidade não conseguem reconhecer a vergonha em ser o que é, e nesse ponto talvez não seja apenas o fato de ser gay, mas ter um temperamento complexo, seja infantilizado ou rancoroso, não saber lidar com as emoções, a família, a espiritualidade e a obsessão por sexo, enquanto ao mesmo tempo gostaria de estar em um relacionamento monogâmico com um macho alfa em uma casinha com cercas brancas.

A autenticidade implica em reconhecer suas incongruências e não se deixar levar por elas.

Na verdade o termo vergonha, usado por Alan Downs na falta de um termo mais adequando, é entendível mas é preciso olhar para algo que envolve a homofobia interna, a ansiedade por um relacionamento ou a recusa deste, o medo do envelhecimento solitário,  raiva interna manifestada pelo cinismo, a ironia e uma desvalorização de tudo ao seu redor…

Muitas vezes as pessoas me perguntam: “Não é essa luta igual para os homens heterossexuais? Eu respondo: “Sim, mas não do mesmo jeito.”

Os homens heterossexuais lutam com o sua própria autenticidade e seus relacionamentos. Eles lutam com vergonha que é criada por uma cultura que os ensinou alcançar um ideal masculino que é inatingível, se não francamente cruel.

Como em mulheres e lésbicas há um aspecto muito diferente em suas lutas.

Por exemplo, os homens heterossexuais lutam com a vergonha tornando-se mais bonitos, jovens, com uma mulher loira em seu braço (como alguns os gays fazem com um amante bonito, jovem e louro), sem os constrangimentos de viver em um cultura e costumes sociais restritos.

Não se deve concluir a partir deste texto que heteros são mais saudáveis do que  gays. O que está sendo dito é que o trauma de crescer como gay em um mundo que é feito ,para homens heterossexuais nos fere de forma única e profunda.

O ponto é que como Homem Gay e Coach eu percebo que nós sentimos mais. Somos algo como que a vanguarda do mundo e tudo que acontece em nossas vidas está sobre uma lupa de aumento.

Muito do que eu escrevo é sobre o lado mais feio e escuro da vida gay. Coisas que heterossexuais, mulheres, seus amigos e familiares não estão expostos e desconhecem. Verdade seja dita, que nós preferimos que eles não sabiam mesmo.

Então eu tenho escrito sobre isso como um homem gay que tem experimentado tudo isso e mais. Escrevo para um público de homens gays que sabem do que eu falo.

Tradução livre baseada no livro Velvet Rage de  Alan Downs

Leia também o artigo O MENINO COR DE ROSA, e quando sentir que é a hora de dar um grande salto para cima em sua vida, agende uma sessão online comigo escrevendo para: [email protected]

Paz e Luz!

Não estamos aqui para corrigir uns aos outros

“Como você consegue?” Ele disse isso após ver minha geladeira com apenas maçãs, sucos, carne e verduras.

“Eu pergunto o que minha alma tem fome e não o meu corpo. Certamente não é um hambúrguer com bacon e uma coca!” Respondi.

A verdade é que exerço com certa plenitude minha capacidade de escolha, de esperar, de ter experiências que me educam, fé em mim mesmo e na espiritualidade.

Não que não me esbalde com uma barra de chocolate às vezes. Eu estou longe de ser perfeito. Mas eu como o chocolate consciente de que será 1 minuto na minha boca e o resto da vida nos meus pneus.
Estar consciente do que faço é um valor muito alto para mim.

Não há outra forma de se tornar consciente sem autoconhecimento.

Autoconhecimento não é apenas olhar no que você é bom e varrer o que não gosta para baixo do tapete. É integrar sua luz com sua escuridão. A escuridão teme a luz porque ela é apenas a ausência de luz.

Meu trabalho basicamente é estar junto com as pessoas na hora que elas levantam o tapete e dizer: “Está tudo bem, isso também é você.”

Eu insisto sempre na denominação LIFE COACH, ou coach de vida. Porque um coach não trabalha apenas com sua carreira ou metas e objetivos. O coach olha para sua vida. Um coach é um cuidador.

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Eu sei que dentro de min há um garoto gorducho e tímido. Me divirto com ele comendo o chocolate, e então depois de todo riso falo para ele: “Agora vamos fazer algumas escolhas mais saudáveis ok? Ele escolhe comigo e está feliz.

Escolhas – Vida – Integração

Levei anos para perceber uma coisa verdadeira: Não estamos aqui para corrigir uns aos outros, nem para corrigir a nós mesmos. Apenas fazer escolhas e integrar.

Não existe um lugar para chegar onde todas as pessoas são felizes todo o tempo, e se houvesse não haveria arte, música e nada para ser escrito. Seria uma existência sem expressão plena em vez d a vida preciosa que temos.

Na luta é onde encontramos a beleza.

As pessoas não são problemas para resolver. Não é o meu trabalho corrigir qualquer um, mas amar apesar da escuridão. E nós não precisamos fingir que essa escuridão não existe.

Enquanto você não estiver consciente da sua própria escuridão, é ela que está nos bastidores comandando o espetáculo.

É seu esforço e sua batalha pessoal que vai te salvar. Eu não posso te salvar.
Mas eu posso fazer muito mais do que isso.

Eu posso te amar.

Se isso de alguma forma tocou seu coração, então agende sua sessão online de coaching comigo: [email protected]



Quando Esperar É A Melhor Escolha…

Você já teve essa desagradável sensação de que talvez nunca encontre uma pessoa para amar e ser correspondido?

Confesse!!

Não, você não está desesperado… Pode estar focado em sua carreira… Pode ter muitos amigos queridos… Pode ter uma família amorosa e divertida… Pode estar satisfeito com sua vida sexual…

Mas é tudo assim… Cheio de reticências…

Quando as luzes se apagam,  então por um momento vem essa vontade de estar dentro de um abraço. Não é apenas sexo. É aconchego, ternura, companheirismo. E isso faz falta.

Você sabe que esta pronto. Tem sua casa, seu carro, seu trabalho. Você está ok. Claro, faltam alguns detalhes, ninguém é perfeito ou tem uma vida perfeita. Mas você está maduro o suficiente para ver isso e partilhar sua vida. Partilhar… Você está maduro para um relacionamento quando não precisa de um. Você sabe disso e não esta disposto a ficar sozinho também em uma relação medíocre, muito menos espera que alguém o “complete”.

Mas não aparece ninguém que o atraia emocional, física e intelectualmente.

E você tem esse pensamento, talvez por um segundo, de que vai ficar sozinho para sempre. E sim… Isso pode acontecer.

Na série HOMELAND a protagonista Carrie Mathison, uma oficial de operações da CIA, tem uma boa aparência, um trabalho empolgante, é bipolar, as vezes surta e fica deprimida com tanta frequência quanto sai a noite por bares em sua  objetividade na busca por sexo para amenizar sua solidão ou simplesmente desestressar do trabalho.

O fato é que você sabe que EXISTE alguém, mas não consegue ir em frente… Talvez o outro não esteja pronto, maduro o suficiente… Ou talvez você não esteja… Talvez você precise se libertar do passado, concluir algumas coisas… Talvez o momento não seja adequando… Talvez você tenha medo… Talvez… Talvez…

Você pode fazer coach comigo e ter um planejamento perfeito para você, mas eu sempre alerto que apenas a mente segue regras, o coração e a vida tem as suas próprias regras…

Em momentos de muitas reticências talvez ESPERAR é a melhor escolha…

Eu espero você!

O QUE VOCÊ ACHA DISSO?

 

As Raízes da Raiva

“A verdade é raramente pura e nunca simples.”

 OSCAR WILDE ~

Validação é a ação e efeito de converter algo em válido, dar força e firmeza. Crianças precisam de validação para desenvolver uma consciência emocional.

Aquele desenho que você, pai, tio ou avô, ganhou de presente não é uma obra de arte, mas uma validação. E talvez, se você estiver mesmo disposto, pode colocar em uma moldura e pendurar na sala.

É como dizer: “Eu aprovo e recebo você e suas vivências.”

O pai é o primeiro homem que amamos e é indiscutivelmente o homem que vamos adorar por toda nossa a vida.

Mas alguns pais são incapazes de validar-nos em um momento em que precisamos de validação. Naão conseguem isso. De todas as invalidações que vamos receber em nossas vidas, esta é de longe, o mais prejudicial.  É traição emocional dos nossos pais. A ferida criado por esta traição irá afetar-nos durante a maior parte de, ou toda, nossas vidas.

AS RAÍZES DA RAIVA

Para um homem gay o resultado final destas dinâmicas familiares tensas é que a única validação autêntica que podemos ter experimentado veio de nossas mães e não de nossos pais. Esta validação é geralmente dirigidas para as coisas que as nossas mães  valorizam como ideais  femininos. Assim, as qualidades femininas (não confundir com efeminados) do nosso verdadeiro self foram validados a mais. Isto nos fez mais confortáveis com o feminino e na companhia de mulheres.

Ao contrário disso o menino heterosexual tende, dentro de nossa cultura que desvaloriza o feminino, depreciar as mulheres e as relações de afeto.

Isso não é uma verdade para todos nós. Alguns tiveram pais que foram ou são emocionalmente presentes, independentemente de nossa orientação sexual, em maior ou menor grau.

Mas a maioria de nós  sobreviveu aprendendo a estar em conformidade com as expectativas dos outros em um momento em que nosso desenvolvimento, quando crianças, deveria ter sido validado para seguir nosso próprio destino.

Nos tornamos marionetes de uma espécie permitindo que aqueles que nos rodeiam puxem as cordas e nos façam agir de maneiras aceitáveis.

Isso detona nossa autoconfiança e autoestima que só serão “um pouco” resgatadas depois de muitas explosões de raiva e rebeldia na adolescência e muitas frustrações e solidão na idade adulta

O que você gostaria de me ser? Um ótimo aluno? Um sacerdote em uma Igreja? Mãe e dona de casa? Um violinista?

Tornamo-nos dependentes adotando a pele do ambiente que nos impôs ganhar o amor e carinho que ansiavamos. Como poderíamos amar a nós mesmos quando tudo em torno nos dizia que éramos impossíveis de sermos aceitos?

Então começamos a perseguir o afeto, aprovação e atenção dos outros. A felicidade está no outro. Como dizia o filósofo Sarte: O inferno são os outros…

A longo prazo o efeito disso é a incapacidade de validar a nós mesmos. A capacidade de ter satisfação interna e contentamento conosco, com nossa história, conquista e derrotas pessoais.

Essa validação deveria ter surgido na nossa infância. Em vez disso, gaguejamos ao longo da vida olhando para a confiança e bem-estar dos outros e criamos a crença de que precisávamos nos proteger para superar a vergonha.

O que normalmente deveria ser um processo de validação interna e autossustentável permaneceu infantil e tornou-se uma sofisticada forma de coagir a aceitação do mundo que nos rodeia.

Então o menino com um grande segredo torna-se o homem que para evitar a vergonha, esconde a sua verdade escura e esfomeada de validação autêntica. Sem um sentido de confiança, ele desenvolve um radar sofisticado para coisas e pessoas que vão fazer ele se sentir bem.

Este menino cresce para ser um homem que é supremamente conhecedor da cultura e moda. Um homem com corpo de Adonis  e muitos amantes. Um homem de grande sucesso e riqueza com um fabuloso bom gosto e elegância. Um consumidor aficionado por cultura pop. Em grande parte, estes são os homens gays que conhecemos.

Esse é você e eu, um menino com um terrível segredo que esconde sua maldição atrás de uma cortina feita de veludo carmesim. Pode ser surpreendente saber que seu segredo não é o seu apetite sexual por homens.

Não, é algo mais escuro e cheio de raiva.

Seu segredo não pode ser revelado, nem mesmo para si mesmo, por medo de que ele irá consumi-lo completamente.

Lá no fundo, longe da luz do consciência, as vidas secretas. Por baixo das camadas de fachada pública, mitos  e fantasias.

Descasque as camadas da cebola , só então você ver o segredo claramente:o seu auto-ódio e a busca frenética por validação.

Tradução livre baseada no livro Cap I de Velvet Rage de  Alan Downs

Sobre Bundas, PECs e Defuntos

Um dos ditados mais usados pela minha mãe quando era criança e vinha com uma desculpazinha pra lá de esfarrapada era: “PROBLEMA É COMO BUNDA, TODO MUNDO TEM E PRECISA MANTER LIMPA”. Com uma mãe assim você pode ter o despertar espiritual em casa se quiser…

Hoje almocei com ela que me pediu o que era essa PEC 241. Disse o que poderia para alguém de 77 anos: que haveria uma taxação sobre as despesas do governo, o que a agradou, mas também que a redução de gastos na área da saúde e educação não irá incidir sobre os burocratas  dessas áreas, mas sim sobre os doentes e os alunos.

Ela como professora aposentada disse: Os professores vão ganhar menos? Eu disse: É bem provável que sim. Parece que todo mundo vai ficar de bunda suja sem conseguir limpar.

Alguém um dia me falou, quando comentei sobre alguns problemas pessoais: “André, eu imaginava que você tinha uma vida perfeita”. Foi assustador imaginar que alguém ainda acredite em vidas perfeitas.

Quando estava no segundo ano de Teologia meu Pároco achou que eu estava pronto para assumir uma função que ele estava ansioso para passar adiante: o ritual de exéquias, a encomendação e sepultamento de uma alma cristã.

Meu primeiro ritual foi um tanto assustador, não pelo caso em si, mas pela singularidade. O defunto tinha o mesmo nome e a mesma idade que eu.

Era um pedreiro que havia pego uma gripe, esta se tornou uma pneumonia, e enfim, ele se foi. Em outras palavras: era uma pessoa pobre, semianalfabeta, sem plano de saúde que foi parar no Sus, não teve a medicação adequada e morreu.

“Praecinge me, Domine, cingulo puritatis, et exstingue in lumbis meis humorem libidinis; ut maneat in me virtus continentiae et castitatis.”

“Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da castidade.”

Vesti minha alva, amarrei o cíngulo à cintura e com livro dos rituais em veludo negro gasto pelo tempo nas mãos parei ao lado de André. Coloquei a mão em seu rosto e meus lábios sentiram a frieza da sua testa.

A Alva (túnica branca) e Cíngulo (cordão trançado preso a cintura)

A Alva (túnica branca) e Cíngulo (cordão trançado preso a cintura)

Procedi ao ritual na maior calma e concentração, apesar do meu coração disparado… Talvez um leve tremor na voz. Ao final, enquanto o caixão era fechado e começava a sair da capela, eu pedi de forma piedosa e emocionada que todos cantassem… “Segura na mão de Deus e vai!”

Agradeci a Deus pela benção desse encontro com a verdade.

Não existe uma vida equilibrada, perfeita e segura… Desisti de meu plano de saúde e de dezenas de seguros um tempo depois…

Não deixe um mundo doente dizer pra você ter sucesso em outra coisa que esteja além do momento presente e do que você É.

Aprenda a viver com menos. Ame mais. Isso vai fazer bem a você e ao mundo.

O QUE TE DEIXA SEGURO?

O QUE UM GATO PODE ENSINAR SOBRE AMOR

Era um noite fria de agosto quando ele atravessou as portas de vidro pela fresta, que mesmo nos dias mais frios eu costumo deixar aberta, caminhando diretamente para mim. O olhar fixo.

Eu estava petrificado.

Ele estava de volta, caminhando em minha direção. Então viu o pote da ração da minha cachorra e correu até lá, se esbaldando em comer, até ser corrido por ela, como sempre acontecia.

Sim, era ele e estava de volta.

Brulee, meu gato, amarelo e laranja como o creme Brulee, desaparecido há 4 meses adentrava a casa em toda gatice de suas sete vidas.

brulee bebe

Com a desordem da construção em minha casa eu havia decidido levá-lo para o nosso sítio a 5km de casa. Apenas abri a porta do carro e ele caminhou resoluto em direção oposta a casa. Como eu estava ocupado descarregando outras coisas, não dei por conta.

Ele não voltou a noite, nem no outro dia, nem depois. Fiquei no sítio por tres meses.  Era inverno, o sítio fica as margens de uma rodovia movimentada e havia muitos cachorros grandes na vizinhança. Depois de uma semana presumi que ele estava morto.

2016 estava sendo um ano de perdas… Pessoas amadas indo embora, meu dinheiro se esvaindo na construção e eu estava apaixonado por uma pessoa que morava longe e não estava sabendo lidar com aquilo.

Brulee havia sido jogado por sobre o muro da minha casa ainda filhote. Eu nunca tive gatos. Ele foi o primeiro. Adiei sua castração em meio a viagens e trabalho por dois anos até que ele fez xixi no banco do carro do vizinho.

Amor em tempos de facebook: Você conhece a pessoa, admira, e um dia percebe que tem algo mais além da amizade.

Mas qualquer relacionamento exige presença. Não basta falar ao telefone todo dia. Somente o desejo se faz na ausência, o amor exige presença. Eu sabia que ele não estava pronto. Ou eu não estava?

Eu sempre digo que você está pronto para amar se conseguir cuidar de um animal de estimação e de uma planta. Você consegue lembrar de aguar a planta duas vezes por semana, dar água e comida duas ou tres vezes ao dia para seu cão?

Amor exige cuidado e presença. Por quê?

Porque amor verdadeiro acorda seus fantasmas e medos e nesse momento apenas um abraço real, não virtual, é o santo remédio para curar. Abraçar e dizer ao outro: “Está tudo bem! Está tudo bem!”

O que eu aprendi com meu relacionamento à distância?

Que amor é diferente de apego, mas exige presença. Algumas pessoas valem qualquer sacrifício para estar ao lado, mas eu, somente eu sou responsável pelas decisões que tomo. Que em tempos modernos, pós modernos ou transhumanos onde estamos construindo novas formas de relacionamento, algumas coisas são imutáveis.

Enquanto isso Brulee, agora deitado na cama, espreguiça e afia as unhas na almofada…

Talvez 2016 possa ter um final diferente…

E você, o que aprendeu com seus relacionamentos?