Terapia e Meditação: Como se tornar mais consciente


Terapia e Meditação: Como se tornar mais consciente

Aversão, raiva e ódio são estados mentais que atacam nossas experiências de vida, assim nos afastamos e rejeitamos o que é apresentado no momento. Ma esses estados mentais, essas emoções, não vêm apenas de fora de nós. 
Entender isso é uma reversão do modo como percebemos a vida. 

Normalmente acreditamos que são os problemas externos que nos atacam. As coisas estão erradas e as pessoas se comportam mal, causando a nossa raiva e nos fazendo sofrer. Mas, por mais dolorosas que sejam as nossas experiências, elas são apenas experiências dolorosas até que acrescentemos a resposta da aversão ou do ódio. Só então o sofrimento surge. 
Se reagimos com raiva, ódio e aversão, essas qualidades se tornam habituais. Como uma resposta auto-imune distorcida, nossa reação equivocada não nos protege; em vez disso, torna-se a causa de nossa infelicidade contínua.

O Buda declara: "Enfurecido com o ódio, com a mente enlaçada, os seres humanos visam a própria ruína e a ruína dos outros". 
Como quebrar esse trágico legado - tanto em nossas próprias vidas como nos outros? Somente através de uma compreensão profunda de raiva, ódio e agressão, que são energias universais, forças arquetípicas que causam imenso sofrimento no mundo. Sua fonte deve ser rastreada nas profundezas de nossos corações e mentess. E então descobriremos uma incrível verdade: que com compaixão, com coragem e esforço dedicado, nós, como o Buda, podemos encontrar as forças agressivas de nossa própria mente e dos outros, e essas energias podem ser transformadas.

Freud e seus seguidores acreditavam que os instintos agressivos eram primários. O "mandamento da cultura de amar o próximo como a si mesmo ... é realmente justificado pelo fato de que nada mais corre tão fortemente contra a natureza humana original como isto". 
Mais tarde, após a Segunda Guerra Mundial, sociobiólogos como Konrad Lorenz e Robert Ardrey criaram a hipótes de que nossa espécie, como nossos predecessores macacos e muitos outros animais, tinham instintos necessários e inevitáveis para manter seu território que era baseada na agressão. Hoje, a biologia evolutiva e a neurociência estão mapeando cuidadosamente as raízes, a função genética e os mecanismos neurais dessa agressão.

Mas o fato de que a agressão, a raiva e a aversão são incorporadas em nossa herança universal é apenas o ponto de partida do nosso entendimento interior.

Depois que aprendemos a enfrentá-los diretamente, para ver como eles surgem e funcionam em nossa vida, podemos dar um passo revolucionário. 
Observe como a aversão e a raiva quase sempre surgem como uma reação direta a uma situação ameaçadora ou dolorosa. Se ela não é vista claramente e entendida, se transforma em ódio. Como vimos, dor e perda são partes inegáveis ​​da vida humana. 

Como a dor, o medo é outro predecessor comum da raiva e do ódio - medo da perda, da mágoa, do constrangimento, da vergonha, da fraqueza, do não saber. Quando o medo surge, raiva e aversão funcionam como estratégias para nos ajudar a nos sentir seguros, para declarar nossa força e segurança. Na verdade, nós nos sentimos inseguros e vulneráveis, mas cobrimos esse medo e vulnerabilidade com raiva e agressão. Fazemos isso no trabalho, no casamento, na estrada, na política. Uma situação de medo se transforma em raiva quando não podemos admitir que estamos com medo. Como o poeta Hafiz escreve: “O medo é o quarto mais barato da casa". Sem discernimento, estamos condenados a viver nossas vidas neste quarto barato.

Podemos treinar para viver com plena consciência, para enfrentar o medo e a dor com sabedoria, em vez de com os hábitos de aversão e raiva. Quando um evento doloroso ou ameaçador surge, podemos abrir nossos olhos para ele. Quando aprendemos a tolerar nossa própria dor e encarar nossos próprios medos, não mais os culpamos e infligimos aos outros, nem aos membros da família, nem a outras pessoas ou povos. 

Temos ferramentas disponíveis hoje em dia, como a terapia, e também a meditação. As duas, cada uma a sua maneira nos leva ao local do observador, a um ponto sem dor onde podemos perceber que tudo em nós está relacionado. É só então que podemos responder com clareza, propósito, firmeza e compaixão. Uma resposta sábia inclui qualquer ação, até mesmo algumas ferozes e firmes, mas que estão baseadas na compaixão.

Em uma resposta saudável à dor e ao medo, estabelecemos a consciência antes que ela se torne raiva. Podemos nos treinar para perceber a lacuna entre os momentos de nossa experiência e a reação ou a resposta. A consciência consciente e compassiva cria um espaço entre instinto e ação, entre impulso e reação. Para fazer isso, precisamos aprender a suportar nossa medida humana de dor e medo. Isso não é fácil. Como disse James Baldwin, "a maioria das pessoas descobre que quando o ódio se foi, elas serão forçadas a lidar com sua própria dor".

Mas se eu estiver consciente, posso falar sobre minha mágoa ou medo, em vez de me perder na raiva e na culpa. A partir disso, ocorre uma conversa diferente e mais honesta.

Comentários

Entre em contato!

Nome

E-mail *

Mensagem *