Existe autossabotagem?


Existe autossabotagem? por André Kummer
Dick Vigarista, personagem fictício e vilão que surgiu em várias séries de desenhos animados de Hanna-Barbera.  


A autosabotagem agrega e unifica uma série processos que levam ao fracasso quando se está próximo ao triunfo. Assim, ao chegar perto de um determinado objetivo, que custou muito sacrifício, como um cargo muito alto em uma empresa, o sujeito começa a fazer coisas que não fazia quando estava em um cargo inferior, onde se destacou, e pode chegar a perder aquela posição tão desejada.

Esses mecanismos de autossabotagem não se aplicam apenas ao trabalho, mas também em outras áreas como relacinamentos.


Freud dizia que isso satisfaz um desejo de punição, que tem que ver com a maneira como a pessoa lida com a culpa e a relação entre a culpa e o desejo. 


Freqüentemente isso tem a ver com o ultrapassar alguém com quem se está medido forças, em último caso o pai ou uma figura parental com quem edipianamente se está lutando. Portanto a hora que começamos a vencer, dá um jeito de denegar e anular essa vitória de forma a manter assim o pai no seu lugar, manter aquela figura de autoridade lá e manter-se também no lugar de filho onde estamos mais protegido, onde inclusive nos acostumou a viver.

Muitas autossabotagens também ocorrem quando temos que passar da condição de filho para a condição de mãe ou pai, pois a mudança é dolorosa.

Existem outros motivos, que muitas vezes nem percebemos como autossabotagem, por exemplo a ideia de que é muito difícil e angustiante cumprir um desejo. O desejo tem que ver com a falta, tem que ver com o que a gente não tem, o que completaria um sentido ou um conjunto.

A falta tem tem uma função organizativa, então quando eu ainda não cheguei lá não sei para onde eu vou nem como vai ser, mas quando vou me aproximando desse lugar começam a vir questionamentos angustiantes: O que vai acontecer agora? Será que o sentido vai da minha vida vai se esvaziar? Será que eu não vou mais saber para onde vou?

Repelimos assim à aproximação daquilo que seria se um objeto do desejo, porque não entendemos que o desejo está sempre em deslocamento e se recriando.

Há uma forma de autossabotagens que tem que ver com a ideia de que há um excesso, uma permanência do sentimento de culpa. A pessoas desenvolve uma curiosa relação com a culpa de tal maneira que não consegue viver sem culpa e extrai da culpa uma espécie de satisfação, precisam estar em estado de infração em relação aos outros, em relação a si, em relação, as contas pessoais, ao estado e assim por diante. 

Nesse caso, essas pessoas que parecem viver no fracasso, gozam com a culpa, a impotência e a insuficiência.

Outra forma de autossabotagem é daquele que vive uma espécie de guerra simulada com o outro, ou seja, elas se atacam, mas na verdade estão atacando o outro.
Por exemplo, minha mãe queria muito que eu entrasse nessa faculdade, mas eu vascilo e erro questões que sei, não consigo entrar e frusto minha mãe. A pergunta é se eu queria mesmo entrar nessa faculdade, nesse concurso, nessa empresa. 
Eu me atacou mas na verdade estou sabotando o sonho do outro.

A autossabotagem é algo muito mais complexo do que imaginamos. Faça Terapia.


Christian Dunker, um psicanalista muito bem humorado, tem um canal no Youtube. Recentemente, no episódio 237 da playlist Falando nIsso, o tema foi Autossabotagem, que transcrevi e resumi nesse post. Quer assistir o Vídeo na integra? Acesse esse link. 

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