Por que alguns homens gays odeiam a si mesmos

Ali Franco no Tumblr


Crescer em um mundo hetero significa que pessoas heterossexuais nos ensinam como pensar e falar sobre pessoas gays, mesmo se nós mesmos somos gays.

Então tudo o que pensamos sobre o mundo gay foi o que aprendemos com os outros, e você sabe, a primeira impressão é a que fica, e pode demorar muito tempo para mudá-la.

A homofobia não se limita aos heterossexuais. Os homossexuais também são condicionados a ver a homossexualidade como uma intrusão, uma ruptura. 

Nós crescemos vendo a homossexualidade sendo punida com violência e desprezo, e nós repetimos essa violência e desprezo conosco mesmo, com os outros e com a comunidade. 

Homens gays que são brancos e cisgêneros, que quase "não parecem" gays, desfrutam na sociedadede de alguns privilégios e distanciam-se de qualquer coisa que possa os marginalizar, especialmente ter amigos e relacionamentos com gays mais afeminados.

A misoginia profundamente arraigada e o desdém demonstrado por todas as coisas femininas é uma característica marcante da masculinidade e é algo desejado por alguns pois tem como maior benfício não sofrer bullying, constrangimentos, ser assediado e agredido.

Há um certo tipo de ódio que dispara alarmes para mim. É a linguagem da distância, da condenação. É um vocabulário que a maioria de nós aprendeu desde cedo, às vezes com os pais, na escola e na rua.

No cerne desse ódio está o medo, e medo é a vulnerabilidade. Ser afeminado torna impossível se esconder, ser um camaleão. Ser afeminado expoem quem você é.
Mas isso na verdade demonstra uma autenticidade e uma força de caráter muito maior do que aquela que o "gay que não parece gay" pensa possuir.
Em um mundo sedento de autenticidade e referências isso fica claro no sucesso de nomes como Pablo Vittar e Lorelay Fox, que esbanjam personalidade em tempos de ódio e almas vazias, e gerenciam, como ninguém, suas carreiras.

Eu não acho que alguém tenha que gostar de Drag Queens, travestis, homens afeminados, Parada Gay e do "meio" gay, mas ser gay e odiar isso, no mínimo fala muito sobre a autoestima da pessoa.

Ao participar dessa violenta tradição de masculinidade, podemos nos poupar, mesmo que isso aconteça às custas de todos aqueles em nossa comunidade para os quais isso não é uma opção.