Síndrome de Pânico

Síndrome de Pânico por André Kummer



Na mitologia grega, Pã é o deus dos pastores e dos rebanhos, e é representado como na forma semi-humana: o rosto barbudo e enrugado, queixo saliente, expressão animalesca, a testa com dois chifres, o corpo é peludo e os membros inferiores são de bode.

Pã é dotado de muita agilidade, é rápido na corrida, vivia escondendo-se nas moitas para espiar as Ninfas e assustá-las. Diz-se também que surgia repentinamente nas assembléias de Atenas para aterrorizar as pessoas e tumultuar as discussões. A palavra pânico deriva de Pã e representa um medo infundado, susto ou pavor repentino.  

O transtorno do pânico (também chamado de ansiedade paroxística episódica) é caracterizado pelos ataques recorrentes de ansiedade intensa em circunstancias imprevisíveis. 

Alem da ansiedade intensa (pânico) a pessoa tem a sensação de morte iminente, de perda do controle de si própria ou de ficar "louco". 
Essa ansiedade é acompanhada de vários sintomas somáticos: palpitações, dor no peito, tontura, falta de ar, vertigens, sudorese excessiva, sensação de estar "aéreo", sensação de desmaio, formigamentos no corpo, ondas de calor e frio, náuseas, e outros. 

Em geral duram alguns minutos, raramente mais que uma hora. Como os ataques de pânico são imprevisíveis a pessoa desenvolve o medo de ter novos ataques, passando a tomar medidas "preventivas" para evitar lugares ou situações que supõe, podem desencadear novas crises. Desenvolve fobias que são denominadas de agorafobia; passa muitas vezes a ter uma vida restrita, sendo incapaz de ficar sozinha ou de ir a lugares públicos. Muitas vezes tem uma ansiedade persistente e antecipatória. 

O TP atinge cerca de 1 a 2 % da população, em geral inicia-se na adolescência ou no adulto jovem. Pessoas com TP podem desenvolver secundariamente quadros depressivos ou mesmo de dependência de drogas ou álcool. 

As causas são desconhecidas. Há fatores predisponentes e fatores desencadeantes da doença. 

A hereditariedade parece ter um peso, na medida que parentes de portadores de TP tem maior chance de apresentar a doença. Alguns fatores psicológicos ligados à; primeira infância, especialmente vivências de ansiedade de separação parecem tornar os indivíduos vulneráveis. 

O TP pode ser desencadeado por fatores emocionais que levem a estresse, por drogas, medicamentos e por doenças físicas. Na maioria das vezes o TP se torna autônomo, passando a ocorrer independentemente de fatores externos. 

Muitos dos indivíduos que desenvolvem TP apresentam ansiedade, insegurança, tensão, dificuldade para relaxar, preocupação excessiva, mesmo antes de ter as crises. Essas características de personalidade parecem torná-los mais vulneráveis à doença. 

O TP é uma doença onde fica clara a necessidade da integração entre a medicação e a psicoterapia no tratamento do paciente. 

Os ataques de pânico podem ser controlados com medicamentos antidepressivos em baixas doses. Já os sintomas fóbicos raramente melhoram espontaneamente, mesmo após o controle das crises, eles só podem ser suprimidos com terapia.

Após a medicação o terapeuta ajudapara que o paciente se sinta seguro em retornar a suas atividades cotidianas, sem as limitações impostas pelo medo de ter novas crises. O terapeuta vai trabalhar os aspectos relacionados a personalidade da pessoa, explorando situações de conflito que possam ser desencadeadoras das crises. A experiência assustadora de perda de controle sobre as próprias emoções é muito dolorosa. 

Muitos dos portadores de TP se descrevem como pessoas medrosas, nervosas e tímidas na infância, e que passaram por experiências de desconforto em relação a sentimentos agressivos, lidando mal com tais sentimentos, referem que seus pais eram assustadores, críticos e controladores. 

Tendo uma personalidade fragil, freqüentemente tomada por vivências de vazio e desamparo, necessitam de um outro para suprir tais funções. É tarefa do psicoterapeuta auxiliar a pessoa a construir referências internas que possam promover melhor integração das vivências, preenchendo o espaço vazio que tanto a angustia.