O que é um bom sexo

O que é um bom sexo_ por André Kummer
Gaytimes

O sexo é um desses tópicos sobre os quais todos falam e todos têm opiniões.

O que eu mais percebo no meu consultório online é que as pessoas não têm boa educação sexual e se comparam muito ao que pensam que os outros fazem na cama.

Na ausência de uma boa educação sexual, o que nos resta é confiar são filmes pornográficos, que são entretenimento e não uma representação precisa do sexo cotidiano, ou ouvir seus amigos mentindo sobre as surpreendentes façanhas da vida sexual deles.

No fundo, muitas pessoas estão confusas sobre o que é um bom sexo, e muitas se perguntam se a vida sexual delas é boa o suficiente. 

"Eu sou normal mesmo tendo um fetiche?""Eu sou promíscuo por fazer muito sexo?""Eu me masturbo muito?" "Devo me sentir mais sexual?" "Sou estranho por não gostar de penetração?" 


Quando falamos de sexo, tendemos a nos concentrar nos atos particulares e não na visão ampla da sexualidade: a sexualidade humana é rica e variada e existem milhares de maneiras de fazer sexo e ser sexual. 
A atividade sexual favorita de uma pessoa pode ser repulsiva para outra pessoa. 

Mas como podemos começar a identificar o que é bom ou ruim, saudável ou insalubre sem cair na armadilha de ser opinativo, cínico, crítico ou envergonhado?

Eu convido você a pensar sobre sua vida sexual de forma diferente. Se você quer saber se o sexo que está tendo é bom ou ruim, pare de se concentrar em atos sexuais e, em vez disso, pense nos princípios da saúde sexual. Existem seis deles:

1. Consentimento

O consentimento só pode ser expresso por uma pessoa com 16 anos ou mais, e com um cérebro em pleno funcionamento (essa parte é difícil). O consentimento não pode ser expresso por uma pessoa que tenha os pensamentos prejudicados sob a influência de drogas ou álcool, por exemplo. Consentimento é exercer o seu direito sexual de ter relações sexuais com quem você escolher, e deve ser inequívoca. Se houver dúvidas, reserve um tempo extra para conversar com seus parceiros sexuais para garantir que a cooperação entre vocês seja clara.

2. Não-exploração

Significa fazer o que você e seu (s) parceiro (s) concordaram em fazer sem coerção usando poder ou controle para gratificação sexual.

3. Proteção contra o HIV, DSTs e gravidez indesejada 

É sua responsabilidade garantir que você esteja com baixo risco de contrair uma infecção sexualmente transmissível. Muitas vezes, exige uma conversa honesta com seu parceiro e um acordo explícito sobre como vocês se protegerão mutuamente. Se você tem uma DST é sua responsabilidade colocar proteção para não infectar conscientemente seu (s) parceiro (s).

4. Honestidade

Ser honesto com seus desejos e necessidades sexuais é importante. Todo mundo é diferente e a sexualidade humana é diversa. É provável que seu parceiro não saiba tudo o que você gosta, precisa ou deseja sexualmente. Algumas pessoas não estão em contato com sua própria paisagem sexual e com todas as partes do corpo que são erógenas. Ser capaz de expressar ao seu parceiro o que você quer ou precisa é importante. Pode ser difícil e é uma conversa corajosa, porque você pode arriscar ouvir seu parceiro dizer que não gosta do que você gosta. Quando os casais DECIDEM viver com honestidade e verdade, muitas vezes eles precisam trabalhar algumas coisas entre eles para alcançar uma vida sexual satisfatória.

5. Valores compartilhados

É importante que você e seu parceiro sexual concordem sobre o que é aceitável e o que não é. Nossos valores são importantes porque nos informam sobre o que atos sexuais específicos significam para nós e contribuem para nossa motivação para fazer sexo. Conversas sobre valores podem esclarecer aspectos importantes que ajudarão a dar consentimento para fazer sexo.

6. Prazer mútuo

O prazer é um componente importante do sexo. Para uma boa saúde sexual, é preciso que você tenha certeza daquilo que te traz prazer e, ao mesmo tempo, seja capaz de ouvir o que seu parceiro acha prazeroso. Nos sentimos bem quando damos prazer aos nossos parceiros e também nos sentimos bem quando recebemos prazer do outro.


Pare de se preocupar em ser um "bom passivo" ou um "bom ativo". Pare de se preocupar se sua vida sexual é promíscua. Se você se afastar de opiniões ou achismos sobre atos sexuais específicos, não há julgamentos a serem feitos.

Preocupe-se em garantir que sua vida sexual seja boa e saudável.



Silva Neves em Gaytimes