Somos indestrutíveis

Pablo Vittar


Hoje acordei as 6 da manhã com Paraíso de Pablo Vittar. Algum garoto passou pela minha rua com o som do carro no máximo. Achei ótimo.

Gosto de ver que pessoas como Pablo, Anitta, Ludmilla e tantos outros, que no passado seriam simplesmente ignorados por serem quem são, agora brilham com sucesso. 

Anitta, Ludmilla e Pabllo Vittar representam figuras extremamente incômodas para uma sociedade conservadora: a mulher bem sucedida e livre, garota que ninguém dava nada, o gay fazendo performance de drag queen. 

O sucesso de tais indivíduos é absolutamente intragável para aqueles que não aceitam nem mesmo o direito à existência de pessoas assim. E porque não aceitam? Isso ameaça a estabilidade deles.

Não há qualquer problema em não ser fã de nenhum deles. Ninguém tem que gostar das pessoas e nem de suas músicas. O problema é que levantar a bandeira anti Anitta, anti Ludmilla e e anti Pabllo Vittar não significa levantar a bandeira do bom gosto musical, mas sim a bandeira conservadora, intolerante e de não aceitação das diferenças. Fala da necessidade neurótica de se opor a tudo aquilo o que eles representam. 

É mais honesto admitir que não gosta de ouvir a voz de um homem gay afeminado, vestido de mulher. É mais honesto dizer que fica incomodado com uma mulher dona do próprio corpo, que rebola sua bunda fantástica perante as câmeras sem medo do que a família tradicional brasileira vai pensar acerca disso. É mais honesto dizer que não gosta que mulheres negras façam tamanho sucesso.

Dizer que eles não cantam bem ou que não são competentes é uma desculpa que há tempos não cola. 

Vivemos num país onde o poder é exercido, quase em sua integridade por homens brancos ricos, e a maioria da população é parda e pobre.

Há algo muito, muito neurótico nas questões de representatividade no Brasil.

Está na hora de entender que não se trata de música, se trata de assumir que as minorias (que são inúmeras) tem direito de se expressar livremente sem ter alguém as demonizando.

Mimorias não vão tomar o poder, tipo um "ataque zumbi".  Um gay não vai "contaminar" heterossexuais, uma mulher livre não vai roubar seu marido, uma negra não vai escurecer ninguém.

Cada vez que minorias são oprimidas se extingue a possibilidade de que essas pessoas sejam felizes.
Existe felicidade suficiente no mundo, nenhuma minoria vai roubar a sua parte dela.

Espero acordar a cada manhã com um som diferente do que ouvir o resto da vida a mesma música.