Amor Líquido

Amor Líquido por Andre Kummer
Zygmunt Bauman | 1925 - 2017


Amor Líquido é o livro mais popular de Zygmunt Bauman, onde o autor faz sua análise das relações amorosas e das relações sociais.

Ele escreve sobre o mundo de incertezas que vivemos e da fragilidade nas relações, tanto amorosas quanto as sociais, que cada vez mais se tornam relações mercantilizadas e individualizadas. 

As relações sociais e amorosas, antes pautadas em uma responsabilidade mútua entre as partes são trocadas por um outro tipo de relação que o autor chama de conexão. 

Ele tira esta palavra das suas análises de relacionamentos em sites de encontros. Ele percebeu que o que mais agradava as pessoas nos sites de encontros é a facilidade de deixar o outro de lado.

Para Bauman, a conexão, uma forma de se relacionar da modernidade líquida, é a facilidade enorme em não haver responsabilidade mútua, em não haver pressão entre os participantes.
Ambos podem, sem o menor remorso, trocar seus parceiros por outros: DELETAR. O grande barato do termo ‘conexão’ é evidenciar a facilidade de se desconectar.

Quando a qualidade das relações diminui, a tendência é que se tente compensar a falta desta qualidade com quantidade.
Talvez um bom exemplo seja a quantidade de amigos que as pessoas costumam ter em redes sociais. Se o cérebro comporta no máximo 150 amigos, então quem são aqueles 5.000 no perfil do facebook? 

Para tentar explicar as relações Bauman utiliza duas categorias: Afinidade e Parentesco. 

O parentesco seria o laço irredutível e inquebrável. É o laço de sangue, é aquilo que não nos dá escolha. Mesmo que não gostemos, nossos parentes serão nossos parentes para sempre e a cultura nos prescreve obrigações e direitos rígidos em relação a eles.

A afinidade é, ao contrário do parentesco, eletiva. Podemos escolher quem está ao nosso lado, em um processo de escolha que pode resultar na firmação da afinidade ou na rejeição, que então será cultivada como um parentesco.

Mas para Bauman a afinidade e o parentesco estão se tornando formas de relacionamento pouco comuns em uma sociedade de extrema descartabilidade. Não há razão para cultivar afinidade, não há o menor objetivo em firmar um laço que seja parecido com o parentesco. Não há interesse que nada seja fixo. 

Apesar das pessoas afirmarem que desejam algo fixo e estável, elas não conseguem ter e construir isso (cultivar).

Essa fixidez é renegada a favor da livre escolha, da decisão individual e que deve ser sempre individual e que obriga o indivíduo a estar sempre disponível a voltar atrás.

Além de não se saber como se relacionar, a situação de extrema insegurança e incerteza nos incapacita para amar o próximo, pois se o outro é sempre um possível agressor e um alguém que nos tira a possibilidade de aproveitar a vida de maneira plena, então não há sentido em amá-lo (no sentido pleno da palavra ‘amor’), nem em confiar em sua presença, e ter certeza que ele vale o nosso amor.

Com o número crescente de diagnósticos de depressão e síndrome do pânico da atualidade, Bauman volta-se para importância de redefinir o que é o amor próprio.

O amor próprio é resultado de ser amado. Quando o sujeito percebe que sua voz é ouvida, que sua opinião é importante ou que sua presença será sentida, então ele percebe que é único, que é especial, que pode ser digno de amor. 

Mas em uma sociedade de incertezas em relação aos outros, o amor pleno não é possível. É como nos é negada a dignidade de ser amado, então não há amor-próprio. 

Bauman diz que não há um número suficiente de pessoas e instituições que entendam e sintam que amar ao próximo é algo fundamental na vida.

Para Zigmund Bauman o caminho da sociedade é a autodestruição depois de um longo definhamento, caso não criemos uma nova compreensão e uma nova vivência do amor, do amor próprio e ao próximo.