O que Freud diria sobre a busca pela felicidade

O que Freud diria sobre a busca pela felicidade por Andre Kummer
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Quando Freud escreveu “O Mal Estar na Civilização”, afirmou que o homem anseia pela felicidade e que ela vem através da satisfação dos nossos prazeres.

Tornar-se uma pessoa feliz é a necessidade principal do princípio do prazer que trazemos da nossa origem. Para Freud isso não pode ser plenamente realizado, mas nem por isso devemos (ou podemos) deixar de nos esforçar para nos aproximarmos ao máximo desse objetivo.

Mas é preciso entender que uma situação feliz inicialmente intensa (como uma conquista amorosa) pode até se prolongar, mas após certo tempo, ela diminui de intensidade e produz somente um sentimento de contentamento. 
A felicidade e o prazer das coisas materiais também logo acaba.

“Somos feitos de modo a só podermos derivar prazer intenso de um contraste, e muito pouco de um determinado estado de coisas” dizia Freud.

Por isso, embora sejam diversos os meios para alcançarmos a felicidade, é mais fácil experimentarmos a infelicidade.

O envelhecimento e a chegada da morte, as ameaças do mundo, as dificuldade de nos relacionarmos com os outros, na família, na sociedade e no Estado nos obrigam a reconhecermos nossa impotência. Não há muito a fazer em relação a essas coisas, só nos resta nos submetermos ao inevitável, pois nunca dominaremos completamente a natureza e evitaremos o envelhecimento e a morte.

Para alguns, aceitar essas realidades é muito difícil, por isso as rejeitam de forma obsessiva, quase com loucura.

Freud aponta a religião como um típico exemplo de loucura legitimada quando restringe o jogo de escolha e adaptação à vida, impondo igualmente para todos, um caminho certo e seguro, tanto para a felicidade quanto para proteção contra todo e qualquer sofrimento.

O fervor da fé, presente no coração de uma pessoa extremamente religiosa pode poupá-la da dor e do sofrimento? Sim. Mas na maioria das vezes o que faz e deixá-la totalmente alienada pela justificação de tudo "vontade" de Deus, mas que na verdade apenas disfarça a sua própria vontade.

O amor também é um caminho para a felicidade, mas que também pode levar a alienação quando nossa felicidade fica totalmente dependente da reciprocidade do outro. 

É ilusão imaginarmos que podemos ter tudo o que desejamos. Resta descobrir, por nós mesmos, de que modo podemos ser felizes, ponderando sobre quanto de satisfação real podemos esperar do mundo exterior, quanta força dispomos para alterar o mundo que nos cerca a fim de adaptá-lo aos nossos desejos e também de adequar nossos desejos a ele.

Freud nos ensina que, assim como um negociante cauteloso não cometeria a insensatez de empregar todo seu capital somente em um tipo de negócio, a própria sabedoria popular nos alerta a não depositar nossa expectativa de felicidade e de satisfação numa única aspiração. 

Embora Freud assegure que não existe regra que se aplique a todos, alguns caminhos nos levam à felicidade. Assim ele diz: 

Acalentemos um amor, zelemos pela família, ocupemo-nos com prazer, apreciemos (com moderação!) as "suaves narcoses", cultivemos sinceras amizades e, para que não sejamos dilacerados, resignemo-nos ao inescrutável propósito maior, no caso de tudo falhar.