As feridas da rejeição são curadas com amor próprio e autoconsciência

As feridas da rejeição são curadas com amor próprio e autoconsciência por Andre Kummer



Começou na escola. Eu era um menino gordinho com jeito de menina e as roupas de segunda mão das irmãs. Todos na época se vestiam com as roupas dos irmãos mais velhos, mas eu só tinha irmãs. Usei muito tempo um casaco herdado que minha mãe insistia em dizer que era laranja, mas para mim era rosa. Na verdade, era pink, muito pink.

Como eu era um bom aluno, encontrei algum conforto nisso, mas cresci me sentindo rejeitado e intimidado pelos outros. Vivia totalmente alienado do mundo. Uma ostra enterrada profundamente. Eu nunca me senti seguro a menos que estivesse completamente sozinho.

Eu estive em uma longa jornada de cura, não só das formas tóxicas que eu tinha aprendido a usar para evitar a sensação de desconforto em torno de outras pessoas, mas também das cicatrizes que causaram esse desconforto.

O caminho foi longo e difícil. Eu ainda estou caminhando, e será assim por toda minha vida, assim espero porque tudo isso me fez quem sou, e finalmente, gosto de quem sou.

Eu aprendi algumas coisas que foram úteis. Por exemplo, aprendi a encontrar os pensamentos que provocam ansiedade e questioná-los. Eu encontrei os lugares no meu corpo onde eu ficava tenso quando pensava dessa ou daquela maneira, e aprendi a relaxá-los.

Eu aprendi que o sentimento de rejeição não vai me matar se me sentar com todos as emoções desconfortáveis, sem fugir, para conversar com elas.

Eu aprendi a reduzir os meus níveis de ansiedade com os exercícios, a leituras e a meditação, e a entender que preciso de muito tempo sozinho, não como uma fuga, mas como um reequilíbrio reflexivo.

Eu aprendi a pensar em ansiedade e no medo de rejeição, como alergias. Sou alérgico a pensamentos como “Será que eles gostam de mim? O que devo fazer para me tornar como eles? O que eu disse de errado? O que devo fazer para que eles não achem que eu sou estranho?” Ouço esses pensamentos e penso: “Não, eu sou alérgico a isso. Isso não é bom para mim.”

Tenho amigos com doença celíaca que experimentam efeitos colaterais por pelo menos alguns dias quando comem glúten. Nesse ponto, o dano já foi feito. A única coisa que eles podem fazer é não torná-lo pior. Então é isso que eu tento fazer também.

Eu não posso controlar o que me faz doente, mas posso ser uma espécie de enfermeiro querido para mim quando fico assim. Eu também tenho a oportunidade de aprender mais sobre mim mesmo.

Acredite, esse é todo o sentido da vida. Em psicanálise aprendemos que não há nada em nós que precisa ser curado, mas tudo deve ser visto e cuidado com amor próprio e autoconsciência.

É um caminho difícil. Se você está no meio de uma viagem semelhante, eu espero que você se dê algum crédito por quão longe já foi.