A vida é tão frágil. Fique com o que importa e o resto deixe ir

A vida é tão frágil. Fique com o que importa e o resto deixe ir por Andre Kummer

Perdi um dos meus melhores amigos há algum tempo. Tenho a sorte de chamá-lo de amigo. Muitas vezes eu me inspirei no entusiasmo dele pela vida, na sua ordem, disciplina, bondade, calma e honestidade. Desde então, pensei nele a maior parte dos dias.


Mas, ultimamente pensar sobre ele e tantos que já se foram me trouxe clareza e paz aos meus pensamentos. Ganhei uma nova perspectiva porque fiquei conscientemente consciente de não há garantias, ordem ou ajustes da quantidade de tempo que nossos queridos estarão conosco.

Eu sempre digo que a vida é uma grande furada, porque no final você morre. É como um filme, onde você torce o tempo todo para o mocinho e no final ele acaba morrendo e saímos frustrados do cinema.

Essa visão não é, no meu ponto de vista, limitante, deprimente ou assustadora. Ao contrário, ela pode ser altamente capacitadora, nos ajuda a manter uma perspectiva que nos permite viver uma vida rica em experiências positivas, aproveitando ao máximo os nossos dias, nossos amigos, pessoas queridas, animais de estimação e as flores do jardim.

Quando vemos a vida através da lente de uma quantidade limitada de tempo, somos mais propensos a fazer um melhor uso desse tempo e ter gratidão pela nossa caminhada. Eu seguro esse sentimento de gratidão e deixo ele se espalhar para outras áreas da minha vida.

Quando ganho essa perspectiva, percebo que muitos dos meus problemas são bem menores do que pensava.

Meu ônibus atrasou, e quando aparece, está cheio. A máquina de café quebrou. Eu não consigo trocar de carro. Não posso fazer botox. Encontrei uma pessoa chata que me irritou até o fundo do cérebro.

O que todos os “problemas” acima têm em comum? São, é claro, problemas do primeiro mundo. Há tantas pessoas no mundo em pior estado do que eu, que sofrem dificuldades inimagináveis todos os dias.

Lembro disso e não me queixo mais sobre “a minha vida difícil”. Praticar essa perspectiva me permite ver as coisas com gratidão e a deixar ir coisas e sentimentos como raiva, ódio, arrependimento, inveja, decepção.

Sou consciente de que se começar a me comparar muito, a inveja vai surgir. Tenho que estar consciente disso. Se eu chegar perto de sentir inveja de outra pessoa que percebo ter mais sucesso do que eu, ou está em algum lugar que eu queira estar, tento me lembrar que não sei como ela realmente se sente, não conheço a história dela ou o que teve que passar para estar lá.
Não sei se é verdadeiramente feliz, ou está apenas encobrindo sua insegurança com mentiras e sorrisos.
Isso me ajuda a soltar o desejo de me comparar e simplesmente me comprometer com minha própria jornada.

O mesmo se aplica ao arrependimento. É uma emoção que fiz o meu melhor para me distanciar. Sou humano e cometi muitos erros que não quero repetir. Machuquei pessoas perto de mim que eu nunca mais vou querer machucar novamente com atos tolos ou palavras descuidadas. Mas ficar arrependido e deprimido por isso é inútil. Então eu vou lá, peço desculpas, corrijo o que posso e toco a vida sem dramas.

Tenho lições para aprender e posso usar isso para ser uma versão melhor de mim.

Talvez essa perspectiva e abordagem da vida seja parte do meu processo de envelhecimento e amadurecimento, ou talvez seja porque ganhei uma perspectiva melhor de quem sou e o quanto tenho sorte.

Estou longe de ser zen e calmo o tempo todo. Ainda estou frustrado com coisas que eu não deveria. Eu ainda posso reagir exageradamente às situações às vezes. Eu ainda posso manter um rancor por mais tempo do que eu gostaria. Ainda sinto o sentimento amargo de desapontamento com os outros, embora eu saiba que isso são só as minhas próprias expectativas sobre eles.

Estou melhorando em deixar as coisas, mas ainda tenho um grande caminho a percorrer. Nem sei se vou ter tempo antes do filme acabar.

Tempo. Apesar do fogão elétrico temos menos tempo que nossos avós que faziam fogo cortando lenha. Onde foi parar o tempo?

Quando realmente entendemos que nossas vidas são preciosas e que temos uma quantidade limitada de tempo neste mundo e isso significa que temos que priorizar nosso tempo. Eu não estou falando de cinco minutos aqui e ali, estou falando de um tempo de qualidade onde estamos totalmente presentes com aqueles que nos rodeiam, presencialmente, a distância ou ‘online’ e com os nossos arredores.

Enfrentar que todos temos um lugar temporário neste mundo deve ser motivo suficiente para aplicar um certo grau de clareza e propósito aos nossos dias. Precisamos dar tempo às pessoas que mais nos interessam. Precisamos fazer tempo para nós mesmos. Tempo para sonhar em voz alta.

É maravilhoso e admirável trabalhar duro, e o dinheiro nos dá muita liberdade, mas precisamos garantir que temos tempo suficiente para celebrar a vida e aproveitar o nosso filme. 

Fique com o que importa.




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