O verbo Engayzar

O verbo Engayzar por Andre Kummer
Imagem: Site Bolsa de Mulher



Não existe um verbo engaizar. Nenhum homem está saindo do trabalho em um dia comum e um raio cái em sua cabeça e ele vira gay: ele engayza.

A gente sabe que a coisa toda é bem diferente, então seguem algumas dicas sobre como melhorar sua autoestima enquanto homem gay e também ajudar seus amigos, gays ou não, a tentar enteder mais sobre o assunto.

Existem piadas, comentários, opiniões e até religiões reforçando o preconceito e a homofobia e tentando esculhambar os homossexuais, lembre-se de quea sua orientação sexual não vale menos do que as demais, nem é motivo de vergonha. 

Você não é melhor ou pior do que os outros (muito menos sujo, pecador, culpado ou doente) por ser gay. Sua sexualidade é apenas mais um detalhe sobre você, assim como a cor dos seus olhos.

Sair do armário pode ter um custo na vida pessoal que deve ser avaliado. Mas também pode trazer benefícios. O fim das mentiras é sempre um alívio. 

Vencido o estranhamento inicial, suas relações ficam mais próximas, profundas e autênticas, com parentes e amigos gostando de quem você é de verdade. Além disso, você faz sua parte para que a sociedade assimile melhor a diversidade, ao mostrar a ela referências diferentes dos estereótipos. Pense nisso e tome sua decisão, no momento oportuno e para as pessoas que julgar adequado (você não precisa dividir sua intimidade com todo mundo).

Dê apoio àquelx amigx que saiu ou foi retiradx do armário. Mesmo se foi uma decisão precipitada ou as conseqüências foram desastrosas, jamais lamente ou critique. Uma mensagem, um telefonema, um convite para um café (ou, em casos extremos, uma mãozinha para conseguir um novo lar ou um novo emprego), são boas maneiras de ajudar.

Não tenha medo de andar de mãos dadas, beijar e fazer as mesmas carícias que outros casais podem trocar em locais públicos. Apenas não exagere, tenha o bom senso e a elegãncia que falta a alguns casais de qualquer orientação.

Da próxima vez que você ouvir uma piada escrota ou um comentário maldoso contra homossexuais, não finja que acha natural, muito menos engraçado.Avalie quem são seus interlocutores e, se você achar que vale a pena, mostre que essas visões são fundadas em preconceitos e ideias inadequadas. 

Muitas vezes, o problema é de falta de informação (o que também vale para quem fala em “homossexualismo” e “opção sexual”). 

Você pode ajudar a mudar a mentalidade sem se tornar um patrulheiro chato.

Não semeie o preconceito interno. Você pode preferir alguns estilos, tribos ou grupos, com quem tem mais afinidade. Mas isso não lhe torna melhor do que os “afeminados” (ou as “masculinizadas”), pobres, nordestinos, negros ou gordos, nem lhe dá o direito de desprezá-los ou humilhá-los. 

Não faz sentido gays falarem mal de travestis, travestis falarem mal de lésbicas, lésbicas falarem mal de gays. Talvez o conceito desenvolvido pelas feministas de Sororidade, possa ser usado pela comunidade LGBTQ.

Sororidade é a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum.

Se somos minoria não faz mais sentido nos unirmos e cuidar uns dos outros?