Não, ela não é minha irmã

Não, ela não é minha irmã por Andre Kummer
Imagem do The Daily Beast

Samantha Allen escreveu um post muito interessante no The Daily Beast sobre um estudo que mostra como os casais homossexuais se preocupam e sofrem com a rejeição dos outros e como é constrangedor ter que corrigir a percepção errônea de que seu parceiro não é um irmão ou um amigo.

Imagine alugar um apartamento com dois quartos quando você só precisa de um, apenas para que você possa fingir que seu parceiro é seu colega de quarto.

Ou ser informado de que você não pode trazer o seu parceiro para casa dos seus pais no Natal.

Ou ser convidado para algum evento familiar, mas apenas se você remover seu anel de casamento para que os parentes não perguntem quando você se casou.

Estas foram algumas das experiências relatadas por alguns dos 120 casais que o sociólogo da Universidade Estadual de São Francisco, Dr. Allen LeBlanc e seus colegas entrevistaram para um estudo acadêmico publicado em outubro de 2017 - um dos primeiros pontos de vista sobre os estressores de relacionamentos que LGBT enfrentam. 

"Essas descobertas são um lembrete de que o acesso ao casamento legal não terminará rápida ou totalmente com os estressores que causam prejuízos a saúde mental enfrentadas pelas populações minoritárias sexuais", conclui o estudo.

A pesquisa que o Dr. LeBlanc e seus colegas estão conduzindo está começando a preencher uma lacuna vital na literatura existente sobre o estresse minoritário LGBT: o estresse enfrentado pelos casais.

Há uma abundância de dados que mostram que as pessoas LGBTs percebem a sua saúde mental em um nível individual devido à discriminação social generalizada. Mas o pesquisador quer olhar "não apenas o que cada indivíduo trás à equação de estar em um relacionamento - ou os estressores de nível individual -, mas os estressores que emanam da estigmatização do relacionamento gay em si".

"Os modelos existentes deixaram de lado o contexto do relacionamento", observou. "Faltava alguma coisa da pesquisa de estresse existente e queríamos trazer isso a tona".

Isso variou do óbvio, como se preocupar em ser rejeitado pelos organizadores de casamentos, para o menos óbvio, como não ter que corrigir a percepção errônea constante de que seu parceiro é um irmão ou um amigo dividindo o apartamento.

Uma mulher disse aos pesquisadores: "No trabalho quando as pessoas vêem a foto da minha parceira na mesa do escritório, perguntam: " É a sua irmã? "

"Sinceramente, nem sei se os nossos vizinhos sabem que somos um casal", disse um homem de Atlanta, " [...] como sou mais velho, acho que pensam que ele é meu cuidador".

Para LeBlanc e seus colegas, esse nível de detalhes, por mínimos que sejam, são grandes estressores. Muito além do que eles poderiam ter levantado por hipótese.

"Eles falaram sobre como é difícil esconder e ter que explicar seus relacionamentos", disse o pesquisador ao The Daily Beast. "Nós tínhamos pessoas nos falando sobre seus esforços para reorganizar seu apartamento se a família o estivesse visitando em sua casa para fazer parecer que eles não compartilhavam uma cama, como tiravam a arte gay das paredes ou outros indicadores que eles estavam ligados ​​na vida gay de seu apartamento quando essas pessoas os visitavam."

A pesquisa perguntou também se os casais do mesmo sexo tem a percepção que são tratados como "menos do que" casais heterosexuais.

Por que a maioria desses estressores ocorrem em ambientes sociais, interpessoais e familiares, em vez de legais, se a simples legalização do casamento homossexual deveria ter, por si só, ajudado os casais do mesmo sexo? 

Difícil responder, mas há uma série de fatores que resultam nessas situações. Ainda existe muito para se descobrir sobre como os LGBTs tratam a si mesmos, como as pessoas os tratam e sobre como eles percebem que são tratados.