Contabilidade Gay: Ativo e Passivo

Contabilidade Gay: Ativo e Passivo por André Kummer
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Sempre que vemos um casal gay temos o hábito de imaginar - quando é necessário - quem é o ativo e quem é o passivo da relação. 

É comum, não quer dizer que é bom, fazermos isso, e a maioria das pessoas, inclusive eu e você, queremos saber do cu dos outros. O gosto pela vida alheia é unanimidade, mas a fofoca é assunto para outro post.

Existe uma heterossexualização da relação gay, ou seja, nossa organização mental tende a imaginar quem é o homem e quem a mulher da relação. 

Na verdade esses "papéis" e "estereótipos" gays estão de tal forma internalizados na nossa mente, que não importa se um afeminado disser que é o ativo, na nossa cabeça ela será a passiva e ponto final.

Alguns gays alimentam a ideia de terem um macho alfa. Esquecem que como eles, o seu macho alfa será gay.

Alimentam a idéia de serem dominados, como se sexo continuasse, como já foi e parece continuar, uma forma de dominação sobre o outro. 

Isso cria a idéia de que o cara que mete bem, tem pau grande e cheiro de macho é o que vai fazer o outro feliz.

Alguns gays gostam que seja assim. Gostam de estereótipos e se sentem adequados dentro um deles. Existem papéis a serem desempenhados em todas as relações e isso pode ser um acordo, que é mais maduro, ou inconsciente.

Durante algum tempo atendi um homem totalmente passivo. Ele não se importava nem com o próprio prazer ou em gozar, ele queria ver o outro tendo prazer com ele. Também não tomava a iniciativa no sexo. De forma dominadora. Dizia que adorava sexo, se descrevia como um ninfomaniaco, e dizia ter tanta vontade de "dar" que sentia dor nos mamilos. Obviamente era abusado e permitia toda espécie de violação. Via isso como normal.

Quando contraiu HIV+ disse que estava "estragado". Talvez essa palavra definisse, literalmente como ele se via. Uma boneca estragada por tanto abuso.

Também já atendi no consultório homens gays mais alfa que um garanhão de feira: bonitos, fortes e agressivos. Era extremamente sociável, mas não suportavam intimdade ou expressão de afeto, além disso não tinha amizades com mulheres, disse que as achava entediante e tinha pavor de gays afeminados. Sua maior fantasia sexual era "pegar um hetero".

Lembrei dessas duas histórias hoje porque tinham uma coisa em comum: ambos reclamavam que não conseguiam um namorado.

Você imagina o motivo?