Quando as crianças gays começam a ser gays?

Quando as crianças gays começam a ser gays por André Kummer
Imagem: Google

"Eu sou perseguido por minhas roupas e por cantar músicas de Lady Gaga!" disse um menino na sala da direção da escola em frente a orientadora e dos seus pais.

Quando as crianças homossexuais começam a exibir sinais da sua orientação sexual?

Em alguns casos, logo no começo da infância. Meninos de 3 anos que rompem com os papéis tradicionais de gênero possuem maior probabilidade de se tornar adultos homossexuais.


Comportamentos indicadores incluem brincar com bonecas, se afastar de brigas e mostrar interesse por maquiagem e roupas femininas. A proporção não é de um para um e certamente não é verdade que todo menino que gosta de bonecas acaba se tornando gay.

Um número desproporcional de meninos que não se adequa a estereótipos de gênero acabam se tornando homens gays, mas muitos homens homossexuais brincavam com carrinhos e jogaram futebol na equipe do colegial.

A relação também não parece ser tão forte entre meninas. Meninas com modos masculinizados não possuem tanta probabilidade de se tornar adultas lésbicas.

O psiquiatra Richard Green conduziu o principal estudo nesse campo, nas décadas de 1970 e 1980.

Ele acompanhou, da infância à maioridade, 44 meninos que desafiavam os papéis tradicionais de gênero. 30 deles se tornaram adultos gays ou bissexuais, enquanto apenas uma criança do grupo de controle, contendo 34 participantes em conformidade com os padrões, se tornou gay.

Os meninos que mais se desviavam do comportamento convencional de garotos apresentaram maiores chances de ser homossexuais. Desde então, o estudo de Green foi repetido por outros pesquisadores com resultados similares (estudos com meninas mostram que apenas 25 por cento das meninas fora dos padrões de feminilidade acabam se tornando lésbicas).


Não existe uma idade mágica na qual as crianças adotam um comportamento estereotipicamente gay, mantendo-o até a maioridade.

É difícil apontar o início da desconformidade e a tendência de uma pessoa para o comportamento masculino pode aumentar e diminuir ao longo da infância. Algumas mulheres dizem a psicólogos que sentiram que seu filho era gay ainda na infância.

Elas alegam que a criança se comportava diferentemente de seus irmãos do mesmo sexo quando apanhada no colo, mostrando maior interesse em ficar juntos, mas essas histórias podem ser inclinações retroativas. Na maior parte das vezes as mães superprotegem o filho e fecham os olhos para todo o resto.

Por outro lado, meninos com desconformidade de gênero também tendem a adotar papéis mais tradicionais no ensino médio e colegial, muitas vezes como uma tentativa de acobertar sua identidade sexual.

Alguns pesquisadores acham que crianças com desconformidade de gênero usam seus brinquedos como um ensaio para a maioridade homossexual. Meninas brincam com bonecas, saltos altos e maquiagem porque estão praticando o papel de esposa.

Meninos gays de 3 anos não conseguem verbalizar seu desejo de estar com um homem enquanto crescem, embora muitas dessas crianças demonstrem comportamentos de paixonite em relação a homens adultos, mas podem estar tentando aprender o comportamento que, mais tarde, irá atrair um parceiro do sexo masculino.

Tudo isso é especulação, uma tentativas de explicar a base do comportamento de desconformidade de gênero, porém, são principalmente especulativas.

Acho muito infeliz usar as palavras "conforme e desconforme", mas é o usual para definir o que está dentro dessa idéia miserável de que o corpo define o comportamento.

O mais infeliz é que não existe, ou não é permitido e acordado ter, um material pedagógico e didático para trabalhar questões de gênero na infância, que é o período onde mais se sofre bullying, que causa sofrimento na criança e também nos pais que não sabem o que fazer.