Por que nós adoramos psicopatas?

O personagem Dexter Morgam, do seriado Dexter. Crédito: Showtime etworks


Jessica Brown, da BBC Capital escreveu um post sobre por que o mercado costuma empregar psicopatas em postos de chefia - e por que isso pode ser um erro.

Ainda que o termo seja mais associado a descrições cinematográficas de matadores a sangue frio como Hannibal Lecter e Dexter Morgan, há evidências de que há muitos psicopatas no ambiente de trabalho.

A prevalência de psicopatas (uma doença mental) na população em geral é de 1%, mas a pesquisa do psicólogo Paul Babiak diz que existem 20% de psicopatas em postos elevados ou conselhos de empresas.

Esses números expõem um cenário de líderes de negócios que colocam sua ambição acima de tudo e não têm escrúpulos na hora de usar as pessoas para sua própria vantagem.

Seria um perfil vencedor no mundo corporativo. Mas não são apropriados para as salas de reunião.

A psicopatia, associada com matadores de filmes, na vida real tem o rosto de pessoas bem-sucedidas e equilibradas socialmente.

Mas eu queria acrescentar ao texto da BBC sobre um tipo de "profissão" que aumentou muito ultimamente: os empreendedores.

Eles estão em muitos perfis de redes sociais e promovem todo tipo de negócio, mas em geral o grosso do dinheiro vem de uma mistura de autoajuda empresarial com a repetição de mantras sobre inovação e tecnologia que estão na moda, como diz Silvio Genesini na revista Exame sobre o caso de Bel Pesce.

Alguns são frios, mentirosos, impiedosos e venderiam a mãe em suaves prestações. Não deveriam ser referência para nada, mas são aclamados como pessoas de sucesso e empreendedoras.

Um exemplo disso foi a palestra de Jordan Belfort imortalizado no filme "O Lobo de Wall Street" que fez uma palestra em São Paulo recentemente, com ingressos custavam entre 697 a 1.497 reais, e que foram esgotados rapidamente.

O que exatamente as pessoas esperavam aprender com uma pessoa que enriqueceu ilicitamente e depois de ser preso iniciou uma vida de palestrante?

Em um curso com um Coach de "sucesso", ele ensinava marketing para Coaches, e sugeriu que se usasse a expressão "realizou cursos fora" para turbinar seu currículo e levar os clientes a entender uma formação no exterior. 

Mas "fora", ele acrescentou com um sorriso, poderia significar "fora de casa".

Enquanto a maioria dos participantes ria e batia palmas eu levantei e fui embora. Pasmo e com raiva, jurei que nunca mais gastaria um centavo com esses gurus empreendedores e suas técnicas mirabolantes. 

A enchurrada de "coachs para qualquer coisa" que saltam nas mídias denuncia que ele continua com muitos seguidores.

O empreendedorismo, que é um mentalidade importante, se transformou em uma religião de psicopatas e pessoas sem caráter.

Luiz Ricardo Silva, em seu blog escreveu um post incrível (leia no link) e finaliza dizendo:

"Se um suposto guru não lhe ensina a pesar custos e benefícios, possibilidades e impossibilidades, se não lhe ajudam a ter consciência da sua própria realidade, limitações, fraquezas, oferecendo então conselhos pragmáticos de como desenvolver as habilidades que lhe faltam, assim como os próximos passos concretos para atingir seus objetivos e assim por diante, tal pessoa provavelmente não é digna de ser levada muito a sério."

Existe uma diferença entre um psicopata e uma pessoa sem caráter, mas nem sempre isso é fácil de descobrir, ao menos até você esteja enrolado até o pescoço em alguma situação.

Infelizmente parece que todos nós temos uma grande queda por soluções rápidas e fáceis, (pseudo)celebridades e likes. Freud explica.