Curando seu trauma de relacionamentos

The Rape - David Lachapelle


"Depois desse último relacionamento, eu percebi que estou cansado. Eu acho que nunca vou encontrar um homem e me apaixonar novamente. " ~Depoimento


As raízes do nosso trauma em relacionamentos vêm de dois fatores distintos: viver em uma cultura com dois papéis sexuais definidos e ser diferente desses dois papéis.


Você é um desvio padrão se não for uma mulher doce e desamparada ou um homem que não tem o perfil másculo protetor e provedor.

Esses "desvios" são uma combinação fatal contra nós e torna um relacionamento saudável uma coisa extremamente difícil.

Mas o que significa ser um homem? Há algumas premissas que, para heteros e gays, começam na infância:

• Quanto mais dor eu posso suportar, mais homem eu sou.
• Demonstrar meus sentimentos é coisa para mulheres.
• Quanto mais eu beber, mais macho eu sou.
• Intimidade é sexo e sexo é intimidade.
• Só as mulheres dependem dos outros.
• Um homem cuida de si sem a ajuda dos outros.
• Ninguém pode me machucar se eu for forte.
• Eu sou o que eu ganho.
• É melhor manter os meus problemas para mim mesmo.
• Ganhar é tudo o que realmente importa.

De onde é que essas coisas vêm? Está em toda parte em nossa sociedade, desde os heróis do cinema que nós amamos aos políticos que votamos. Nós acreditamos, e no fundo queremos, que homens e mulheres se encaixem em papéis firmemente definidos.

Nesse sistema, as mulheres cometem uma imensa transgressão quando se tornam mais fortes e inteligentes que os homens, e os gays transgridem a ordem ao amar outro homem.

Então nós gostamos de pensar que estamos isentos de estereótipos, afinal de contas, nós cometemos grandes transgressões.

A verdade é que esses estereótipos são como uma parte do tecido de nossas vidas como também são para aqueles que os seguem a risca.

Poderemos ter rejeitado alguns, ou mesmo muitos na superfície, mas esquecemos que primeiro nós aprendemos os comportamentos padrões.

Aqueles que primeiro nos ensinaram os padrões foram nossos pais. Especialmente aqueles padrões relacionados com emoções, por isso nossos pais exercem enorme influência sobre nossas vidas.

Nosso primeiro modelo de como ser um homem foi nosso pai e nossa mãe o primeiro modelo de ser mulher.

Goste ou não, você absorveu muitos dos seus modos de lidar com o mundo.

De uma certa forma, em seus relacionamentos, você vai buscar, inconscientemente, um parceiro parecido com aquele genitor que você mais tinha problemas. É como se sua psique quisesse resolver aquelas questões de amor não supridas revivendo a história.

Como um jovem gay, o relacionamento com seu pai tornou-se uma referência do qual seus relacionamentos com todos os outros homens se tornariam. O que ansiávamos receber dele era amor, afeto e ternura, o que a maioria de nós recebeu foi muito menos.

Obviamente não era culpa deles, que apenas repetiam estereótipos. Alguns fizeram o que conseguiam ou podiam, até mais do que receberam.

Nossas mães eram uma história diferente. Elas eram mais amorosas (isto é, também, uma norma cultural imposta para mulheres). Quando ficamos mais velhos, elas sentiram que éramos diferentes e tentaram compensar a nossa dor desdobrando-se em atenção e cuidados.

Elas viram seus maridos ficarem perplexos com o filho que não era como todos os outros meninos, e muitas vezes eles aumentaram, ainda mais, o desapego emocional.

Acontece o mesmo, invertido, com as meninas fortes (não necessariamente lésbicas), que tem todo o apoio do pai, e a mãe se apaga, como uma coadjuvante, senão uma inimiga. Geralmente elas atraem homens mais frágeis, como a mãe, e com uma personalidade que absolutamente não conseguem entender.

Isso significa que crescemos recebendo mais de um do que de outro. Esse tipo de relacionamento maravilhoso com um dos pais é ótimo, mas deixou uma enorme buraco em nossa experiência com o outro.

Homens gays sentem uma falta imensa do companheirismo masculino do pai, então procuram relacionamentos com pessoas ausentes.

Como aprender a relacionar-se com um homem de forma amorosa e honesta? Onde está o modelo para manter uma duradoura relação entre homens (sem uma mulher-mãe no meio campo)?

Como resultado, homens homossexuais são incapazes de, enquanto crianças e adolescentes, ter uma relação de afeto com o gênero que viria a se tornar seu erótico. Isso contiua na vida adulta, com a substituição da intimidade carinhosa pelo erótico. Daí que relacionamentos duram pouco para homens gays.

Para entender o enorme desvantagem que isso causou, pense sobre como isso acontece nos jovens heterossexuais. Eles são capazes de ter um relacionamento de camaradagem pelo pai do mesmo sexo, mesmo que o relacionamento modelo (dos pais) não tenha sido perfeito.

Um homem heterosexual além disso conta com o estereótipo feminino onde as mulheres são ensinadas a serem as que cuidam do relacionamento. Elas fazem DR e funcionam como uma "rede de segurança emocional".

Suprem seus maridos de carinho e compensam sua falta de expressão emocional.

A mulher, que trabalha seu emocional mais intensamente, visto que as meninas amadurecem mais cedo que os meninos, esperam encontrar um homem já suprido e expressivo, mas o homem hetero ainda não evoluiu muito.

Especialmente para a mulher "moderna", isso é um desespero porque precisam equilibrar mais essa responsabilidade na cabeça enquanto continuam longe de um relacionamento maduro.

Isso sugere que, de alguma forma, todos estamos em uma grave desvantagem para um relacionamento suficientemente feliz. Fomos privados de um modelo mais diverso, maduro e amoroso, e também não aprendemos a criar uma "rede de segurança emocional".

Não foram compartilhas, em sociedade, as atribuições sociais e as habilidades para nutrir e manter relacionamentos. Isso ficou apenas com a mulher hetero estereotipada. Por exemplo, é mais "normal" a mãe ir a escola saber do desempenho do filho do que o pai.

Talvez hoje nenhum dos pais possa ir a escola saber do filho e manter a "rede de segurança emocional" porque estão atarefados em construir suas carreiras de "sucesso".

E a notícia só fica pior.

Quando finalmente se encontra alguém para amar, essa pessoa, é muito provável que também esteja lutando em algum estágio da sua própria maturidade emocional, como nós.

Todos comportamentos que usamos, como a separação, tiveram um impacto traumático sobre o que pensamos de um relacionamento. Nós terminamos ficando mais cínicos e propensos a traição e a desonestidade emocional.

Além de serem duas pessoas feridas, não têm o apoio que todas as novas relações precisam. Família, amigos e sociedade não estão preparados para serem espaços curadores.

Todos estes fatores convergiram sobre nós, tornando nosso esforço em ter um relacionamento maduro algo de curta duração.

Não estávamos preparados para ter um relacionamento com outra pessoa, especialmente não com uma que também foi ferida e não se curou.

"Eu nunca vou esquecer que o dia que meu relacionamento de dez anos acabou, e eu ouvi: 'Você casou com seu pai." Aquilo bateu em mim como uma pedra. Eu sabia que era verdade, mas no mesmo instante eu estava com nojo e vergonha de mim mesmo. Eu tinha orgulho em não ser como meus pais. Eu tinha curso superior, era moderno e livre daquele pequeno mundo ridículo, ou ao menos eu pensava assim. Mas aqui estou eu, aos quarenta anos, vivendo o mesmo tipo de relacionamento que eles tinha vivido. Como fiz isso acontecer? " ~ Depoimento.


No curso da psicoterapia, muitos são surpreendidos ao perceber o quão perto a personalidade dos seus Exs eram parecidas com as características dos pais.


Isto é o que ocorreu em sua vida? Pergunte-se: Meu pai emocionalmente ausente? Cheio de julgamentos? Fisicamente abusivo?

Perceber isso pode ser um grande passo para você para quebrar o ciclo de relacionamentos fracassados.

Sabe aquela sensação de que você conhece a pessoa há muito tempo, é real... Mas é o mesmo chapéu em uma cabeça diferente.

Duas pessoas feridas, lutando para descobrir-se e com uma desesperadora falta de competências e modelos, se reúnem para encontrar o amor. Isto é uma receita trágica.

O primeiro amor, como o primeiro sutiã, nunca se esquece, porque geralmente é um desastre. É uma das histórias mais comuns a se ouvir em terapia: a perda traumática da inocência que se experimentou durante o primeiro relacionamento.

Depois disso tudo é lucro, mas as sementes de cinismo e amargura são plantada no fundo do seu coração. Você começar a perder a fé que o amor podem existir. Com a repetição de fracassos a desilusão aumenta e daí é um passo para você concluir que é melhor ficar solteiro.

Mas se seu coração está dizendo que está cansado e não consegue, fique tranquilo. Ainda tem um jeito. Já vi de tudo na vida, menos que amor mata - psicopatias a parte - e, pelo contrário, gente casada vive mais.

Eu sei que esse post ficou longp, mas se você leu até o fim, curta e compartilhe, e se quiser saber mais leia os 4 tipos de traumas nos relacionamentos.

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