Como a perda de raciocínio crítico está prejudicando você

O fim do pensamento complexo e a “geração millennials” - Clube da Administração - por Andre Kummer
Clube da Administração - O fim do pensamento complexo e a geração millennials

Qualquer pessoa sensata defende o uso da razão, baseado no conhecimento científico dos ultimos milênios, e nos direitos humanos.

Pessoas e países inpiradas nessas idéias fazem o mundo avançar em todos os sentidos. Mas existem aqueles que acreditam que liberdade, igualdade e fraternidade são atriutos apenas de uso próprio.

Durante a maior parte de nossa história essas pessoas usaram de várias formas de pensamento e ilusão como formas de controle. Controle e poder é a base de tudo.

Alguns usam as religião. 200 milhoes de indios foram mortos na América, em nome de Deus, por, principalmente, portugueses e espanhóis no século XVI.

Outros usaram as idéias e a política, que resultaram no século XX, em duas guerras mundias, o Gulag Russo e a Revolução Chinesa, que contabilizam 135 milhoes de mortos.

Agora, especialmente na última década, nossas divergências culturais, econômicas e religiosas tornaram-se novamente muito extremas.

O pior mal do extremismo é que ele coloca você em um local que chamo de Ilha da Fantasia, onde você perde totalmente sua capacidade de ter um raciocínio crítico.

O extremismo afeta a nossa capacidade de ter um raciocínio crítico através da quantidade de mentiras nas mídias socias. As pessoas não conseguem distinguir entre um site sério de notícias e um internauta que gosta de usar títulos chamativos.

O século XXI deu ao pensamento extremista a infra-estrutura necessária para tornar o falso, irracional e não provável parecer real: essa infra-estrutura é a internet.

A pessoa que não tem um raciocínio crítico precisa ser entretida. E nós gostamos de ser entretidos. Nenhuma indústria cresceu tanto e tão rápido quanto a cinematográfica.

Cada um de nós, individualmente, pode tentar retirar-se para Matrix do entretenimento, mas uma das coisas mais difíceis de fazer é voltar de lá.

Mas na falta de séries, filmes e shows querermos ser entretidos pela religião, pela política, pela ideia do empreendedorismo mocivo e qualquer outra forma de pensamento que nos mantenha na Ilha da Fantasia.

O mundo real no Brasil é habitado por 117 milhões de pessoas que não sabem ler com fluência, não tem internet, não tem casa, remédios ou comida. A vida fora de lá, o mundo real, é inaceitável para nossa mente insular.

Quando a gente perde essa compreensão dolorosa da vida, perde o raciocínio crítico e ficamos presos na Ilha da Fantasia. Presos ao lamento de quem tem muito, mas precisa de mais.

Mas não se trata apenas de ficar preso, se trata de retroalimentar a ideia de que é certo estar lá, então começamos a acreditar em qualque coisa que nos mantenha na Ilha, não importa se é real ou um conjunto de convicções fantásticas, empiricamente falsas e produzidas para nos infectar.

O extremismo e a falta de raciocínio crítico retiram toda possibilidade de diálogo entre a ilha e o continente.

Eu gostaria de abraçar e entrar em consenso com tantas pessoas quanto possível enquanto seres que vivem na terra da verdade e da razão baseada nos direitos humanos, mas não na Matrix da Ilha da Fantasia.

Mas agora estamos neste mundo de pós-verdade, onde toda a verdade é relativa, então esta é uma fase difícil para nós combatermos as idéias empreendedoras da Ilha da Fantasia.

Eu ouço as pessoas pensando: "Diga-me que tudo vai ficar bem. Diga-me que é apenas um ciclo, o pêndulo vai voltar.". Eu adoraria que isso acontecesse, mas não tenho convicção de que esse seja o caso.

Minha sugestão: Continue a lutar a boa luta e seja um guerreiro feliz.

Algumas pessoas que estão perdidas na Ilha da Fantasia não serão trazidas de volta. Não perca seu raciocínio crítico senão você será levado para lá. E lá não é o mundo real. O continente é aqui.