O paraíso existe em uma mente repleta de gratidão

David LaChapelle

A maioria das pessoas nunca chega a conhecer seu verdadeiro destino. Simplesmente são atropeladas por ele. 

Quando levantam a cabeça e o veem se afastar pela estrada da vida já é tarde e têm que trilhar o resto do caminho pela valeta daquilo que alguns terapeutas chamam de maturidade.

A esperança, que vem de esperar não de fazer, se transforma na crença, sonho ou fé de que esse momento ainda não chegou, ou que se repetirá. 

Acreditam que conseguirão viver seus verdadeiros destinos quando eles passarem novamente e poderão pular a bordo antes que a oportunidade de ser eles mesmos se desvaneça para sempre e os condene a viver no vazio com saudade do que devia ter sido e nunca foi.

Amadurecer, ou adquirir maturidade, parece algo amargo com sabor de resignação que conduz a uma vida enfadonha onde nos apegamos a uma carreira e uma religião aqui, uma raiva ali, um romance acolá e alguns ideologismo no caminho para dar sabor ao que realmente é insonso.

Amadurecer assim, como a maioria das pessoas fazem, as transforma em pessoas azedas e raivosas, mas elas insistem em dizer que isso é ser uma pessoa séria.

Talvez seja preciso entender que o que faz uma pessoa madura é o autoconhecimento. O que nos leva ao encontro da nossa missão, propósito ou destino é o autoconhecimento.

Dessa forma, amadurecer se torna algo extremamete divertido de se (auto) conhecer. A vida se torna algo surpreendente e mágico.

Eu poderia usar muitos trabalhos científicos para afirmar isso, mas vou usar um livro de saberdoria bem conhecido: a bíblia.

Em três, dos quatro evangelhos há a mesma passagem (Mateus, 19, 13-15 - Marcos 10, 13-16 - Lucas 18, 15-17) "Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus". 

Uma criança confia sem refletir. Não consegue viver sem ter confiança em que lhe está próximo. Não é uma virtude, mas uma realidade vital. 

Por isso, para encontrar a si mesmo (o sagrado em nós, Deus, o Ser desperto, Oxalá, Javé, o Eu superior, consciência...) precisamos ter um coração espontaneamente aberto.

Uma criança tem o coração aberto aos seus próprios sentimentos, ri de si mesma e é curiosa com tudo que há de novo em sua frente, sem julgamentos, até mesmo para coisas perigosas, porque não tem medo.

Uma criança, especialmente até certa idade, não percebe se o outro é branco ou preto, homem, mulher, novo ou velho, bonito ou feio... Isso é o estado de abertura natural do ser humano. Os (pre)conceitos veem depois.

Na mesma linha poderíamos ler o diálogo de Jesus com Nicodemos, em João 3, quando Jesus diz que é necessário nascer de novo e Nicodemos contesta: "Como pode um homem nascer, sendo já velho?"

Nascer denovo significaria conhecer a si mesmo e a dignidade (ou o sagrado) que nos habita. 

Você encontra seu destino quando aprende a se conhecer e mantêm uma mente aberta.

O paraiso existe em uma mente aberta e repleta de gratidão.