Condições controladas para namoros gays

Igor Morski

A vida toda é uma interrogação, mas algumas pessoas tendem a se apegar ao que elas julgam certo. Vivem uma vidinha morna. Mas é uma escolha, e cada um sabe onde lhe aperta o sapato...


O namorado pediu que se vissem menos e os encontros também fossem menos intensos.

Prenúncio do fim de um namoro curto. 

Não costumo escrever sobre meus clientes de terapia, mas dessa vez resolvi fazê-lo, não sem antes pedir a autorização dele que permanecerá incógnito.

“Estávamos nos conhecendo” disse ele obviamente frustrado, tentando justificar a tristeza, mas não a dor de um amor desfeito. Ainda não era algo comum como a paixão ou sofisticado como o amor. Apenas estavam se conhecendo.

Tudo bem. As coisas começam assim. É o que no trabalho chamamos de  “tempo de experiência” na versão para os relacionamentos amorosos.

E estaria tudo bem se dois dias atrás meu cliente não fosse avisado no trabalho de que haveria a possibilidade (POSSIBILIDADE) de uma transferência sua para outro estado.

Talvez alguns de nós já passaram por isso. Namoro começando e de repente um imprevisto e fim.

E novamente está tudo bem, isso acontece.

Mas às vezes me pergunto se não estamos buscando relacionamentos dentro de forma científica: um experimento sob condições controladas.

Na área médica conduzimos experimentos mais ou menos assim: você injeta a substância em ratos, todos brancos, com o mesmo peso, sob as mesmas condições de clima e ambiente  e acompanha de perto! Se tudo funcionar como previsto a droga funciona.

Se o cara tiver um bom emprego, um corpão, um carro, for viajado, rir do que eu falo e tiver sardas então a droga funciona?

Se o mundo fosse perfeito ele funcionaria?

Onde estamos guardando nossas emoções e nossa ousadia? Dentro de uma sacola do Carrefour?