Como manter os sentimentos sob controle

Como manter os sentimentos sob controle em André Kummer Coaching e Terapia

A pessoa que diz para si mesma que “não deve" sentir o que está sentindo não ajuda a ela mesma a deixar de sentir.

A pessoa que diz para os outros que "não devem" sentir o que estão sentindo não ajudam ninguém a deixar de sentir.

Quando um pensamento, ou uma experiência, tem impacto sobre a consciência, a energia da emoção resultante começa a se deslocar através da mente e do corpo, criando elos com qualquer energia já existente.

Isso significa que o pensamento ou a experiência que provocam raiva em você hoje irão se juntar a cada pensamento e experiência que durante a sua vida lhe provocaram raiva. Não importa se a primeira experiência ocorreu aos três, cinco ou dezesseis anos.

A energia daquela experiência permanece em seu inconsciente. Medo, vergonha, culpa, amor, alegria, paz — todas operam da mesma forma. Essa teoria leva diversos terapeutas dizerem que você nunca sente medo, raiva, culpa ou vergonha pelos motivos imediatos. A causa atual é a experiência mais recente, a última gota d'água, por assim dizer.

O problema não está nas coisas que acontecem e nas experiências que vivemos. O problema encontra-se no significado que damos ao que acontece e aos julgamentos que fazemos. Por isso a mesma experiência pode repercutir de forma completamente diferente em pessoas distintas.

Se, além de julgarmos severamente o que sentimos, o mundo exterior vem nos dizer que o que sentimos está errado, o resultado é um conflito interno.

O conflito nos faz sentir culpados e dignos de castigo. Somos nós que nos castigamos. E ficamos com raiva das pessoas que provocaram a emoção que gerou conflito e culpa. Muitas vezes expressamos a raiva de maneira pouco apropriada: atacando, gritando, xingando. Não é que essas formas de expressão sejam ruins ou erradas. Elas só não são socialmente aceitáveis.

Você tem direito aos seus pensamentos e sentimentos. Também tem direito de reagir em resposta ao que pensa e ao que sente. Seus atos refletem quem você é e aquilo que acredita ser verdadeiro a seu respeito.

Mas a sociedade estabelece limites e espera que obedeçamos a eles. É a tentativa de permanecer dentro desses limites que cria conflitos em nosso ser emocional. Mas os limites foram instituídos para a proteção nossa e dos outros.

Ninguém pode interferir no que sentimos, pois os sentimentos são sempre válidos. O desafio consiste em compreendermos o que estamos pensando e sentindo e decidir o que vamos fazer com o sentimento, visando ao nosso próprio bem e ao das pessoas envolvidas.

O que cada um de nós precisa aprender é como chegar à base do sentimento e descobrir sua causa para podermos equilibrar outra vez nossa energia mental e emocional.

Isso exige muito trabalho. Também exige que tenhamos coragem de examinar e explorar nosso conflito interior. Exige paciência com o seu ego e com o dos outros. Mais importante, exige a disposição de voltar atrás para ir em frente.

Não estou tentando sugerir que cada vez que seu cônjuge, filho ou chefe fizer ou disser algo que deixe você com raiva, você deva parar, identificar quando e como sentiu raiva pela primeira vez e tentar expressar o sentimento naquele exato momento.

O que estou sugerindo é que, em primeiro lugar, você não negue e aceite o que está sentindo, repetindo para si que a intensidade da emoção vai passar.

Depois, admita para si e, se possível, para a outra pessoa o que você está sentindo. A situação está sempre sob o seu controle. No momento em que sentir uma explosão de energia emocional, suspenda qualquer juízo a seu próprio respeito por estar sentindo o que quer que seja, e sinta.

Confie o suficiente em você para saber que é capaz de sentir qualquer coisa e recuperar-se. Saiba que pelo fato de estar sentindo alguma coisa não precisa reagir no mesmo instante em que sentir.

Viva a sensação o tempo suficiente para descarregá-la. Respire fundo. Se puder, escreva o que está pensando e sentindo e, a seguir, destrua o papel com todo o fervor que conseguir reunir. Acima de tudo, durante os primeiros trinta ou sessenta segundos da experiência, por favor, pratique o MEBF.

Este princípio antiquíssimo permitirá que você encontre a forma de expressão apropriada para qualquer desequilíbrio emocional. MEBF significa "Mantenha Essa Boca Fechada!".
Controle-se até sentir que consegue raciocinar. Pergunte-se:

"O que é que eu devo fazer?"


Em sessenta segundos ou menos, você saberá exatamente o que fazer. Isso demonstra a sua maturidade e o seu poder.

Leva tempo, mas você vai conseguir. Será capaz de passar por qualquer situação com sua dignidade e seu amor-próprio intactos. Mas lembre-se de praticar o MEBF!