A felicidade é a viagem, não o destino

A felicidade é a viagem, não o destino

Sabe aquelas fotos usadas para publicidade de Coaching? Como essa aí acima, sempre há uma imagem de alguém escalando uma montanha, de braços abertos e às vezes duas ou mais pessoas conversando entre sorrisos, em geral usando roupa social.

Essas imagens inspiram superação e são meramente ilustrativas. Apesar da proliferação de Coachs, a idéia que alguns deles passam é a de um Coaching como uma AutoAjuda 2.0, uma ajutoajuda remodelada.

O coaching, na minha visão, é um processo de autoconhecimento que deve usar como ferramenta, a psicoterapia breve. Por que eu penso assim?

Por que o autoconhecimento é um processo, não é uma fórmula.

Fórmulas funcionam em alguns casos e sob determinadas condições. Se você está apegado a alguma fórmula, acredite, você está sendo enganado ou quer ser enganado.

Mas existem mente lúcidas no mundo do Coaching. Amanda Ruggeri, em um post no site BBC escreve porque um foco no resultado pode criar uma mentalidade de roda de hamster, aquela roda que se põem na gailoa e o ratinho corre para lugar algum. 

Assim como os ratinhos, algumas pesssoas correm e correm, mas nunca saem de suas gaiolas.

É óbvio que para ser bem sucedido em alguma coisa é preciso ter objetivos específicos. 

Para alcançá-los, você deve visualizar, planejar seus passos, colocar prazos, incentivos e caso se desvie do caminho precisa retornar rapidamente. É um trabalho árduo.

Objetivos podem ajudá-lo a trabalhar mais, concentrar-se mais e melhorar.  Mas eles também podem fazer você trapacear, podem matar sua criatividade e fazer com que você não prospere de forma sistêmica. Ou seja, você prospera na vida profissional, mas a vida pessoal é uma M.. 

"Estamos tão emocionalmente ligados a um objetivo que estamos nos preparando para o fracasso", diz o assessor de negócios, escritor e palestrante Stephen Shapiro . "Se você tem um plano para onde quer estar em cinco anos, não se apegue tanto de forma que apenas isso determine toda a sua vida". 

É verdade que décadas de pesquisas mostram que ter objetivos podem fazer com que você trabalhe mais, se concentre mais e melhor. Mas eles também tem seu lado negro.

"Os objetivos em si não são ruins", diz Lisa Ordonez , vice-diretora da Eller College of Management da Universidade do Arizona. "O problema é como os tratamos". 

Um dos primeiros problemas são os objetivos que as pessoas escolhem. Muitos não são necessariamente suas próprias ambições, mas o que pensam que devem fazer. 

A maioria das pessoas diz que seu principal objetivo na vida é ser feliz. Mas as pesquisa mostram que a felicidade resulta de coisas simples, e isso não tem nada a ver com comprar uma casa maior, ou investir na carreira ao invés de priorizar a família.


O texto de Amanda faz referência ao Bhagavad Gita, um livro básico do hinduísmo, que já esclarecia, 2.200 anos atrás, as desvantagens de uma vida perpétua de metas:

"Aqueles que são motivados apenas pelo desejo e pelos frutos da ação são miseráveis, pois estão constantemente preocupados com os resultados do que fazem".

Sim, existem dificuldades maiores do que ser obstinado por metas, é ser focado apenas em resultados.

Eu quero ser advogado! Eu quero me casar! Eu quero isso e aquilo!

Até que você alcance esse resultado você nunca vai saber se isso realmente é o melhor para você. É impossivel saber o futuro.

O Life Coach e Consultor Stever Robbins diz que  muitos de nós estabelecemos metas de vida em nossa adolescência ou na casa dos anos. Mas ele pergunta se você realmente confiaria nas escolhas de você mesmo aos 20 anos.

Além disso, quando você atinge um objetivo, imediatamente ... passa para outro. 

Mas talvez chegue um momento onde não exista nenhum, e seja o momento de apenas desfrutar e curtir a vida, mas alguns não querem parar porque estão presos em uma espiral tentando descobrir a próxima coisa para os manter em ação.

É o caso de pessoas que se perpetuam em cargos e funções e absolutamente não sabem ceder ou desocupar o espaço.

"A auto-ajuda ... dá conselhos de que, se você quiser perder peso, deve colocar uma foto de você  na geladeira com o peso que você realmente gostaria de ter novamente", diz Alexandra Freund , Professora de psicologia da Universidade de Zurique que pesquisa a busca de objetivos. "O que eu acho na minha pesquisa é que realmente funciona melhor, em termos de alcançar esses resultados, é você não se concentrar neles". 

Em vez de se concentrar em seu objetivo, a chave pode ser concentrar-se no processo - e esquecer o resultado inteiramente

Eu sempre trabalhei muito com vicualização e parece que funciona comigo, por isso sempre faço minha capa de facebook com imagens, mas tenho lido muitos artigos que dizem que a visualização pode ser prejudicial.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas que visualizam seus objetivos são menos propensas a alcançá-los, talvez porque eles enganam seu cérebro para pensar que já fizeram o trabalho. 

Eu achei incrível saber que funciona muito melhor  o "contraste mental", pelo qual você visualiza não apenas um resultado positivo, mas a realidade negativa que deseja mudar. 

Pegue a perda de peso. Se você já foi gordinho, as descobertas deste estudo não irão surpreendê-lo: quando os participantes que queriam perder peso falhavam, eles apenas diziam envergonhados "Eu falhei" ... e comiam outro pedaço de bolo. Aqueles que se concentraram no processo de comer de forma mais saudáveis, e às vezes cederam às tentações sem culpa, foram mais propensos a retomar a dieta depois sem prejuízo do processo.

Entendeu como funciona a trapaça? Coitadinho de mim porque falhei, então vou comer mais um pedaço de bolo.

Aprenda a se concentrar no processo, e se esqueça os resultados, esse sim é um Processo Coaching.

Por que já dizia Henfil: "A felicidade é uma viagem, não um destino.