O que os outros pensam importa?



Outro dia eu estava dirigindo e uma ansiedade esmagadora veio sobre mim quando um "sem noção" cruzou na minha frente e avançou o sinal.
Em segundos o meu humor despencou de entusiasmado para angustiado e raivoso.
Eu olhei no espelho e me perguntei: "Por que eu me importo tanto?"
Porque esse "próximo" que as escrituras mandam eu amar além de me dar um susto e me chamou de lerdo.
Mas uma coisa engraçada acontece quando você para de se preocupar com o que as pessoas PENSAM sobre você: As vozes do mundo param de gritar dentro de sua cabeça.
Outra coisa engraçada acontece quando você para de se preocupar com o que as pessoas FAZEM para você:Sua cabeça para de gritar as raivas do mundo.
O que uma pessoa pensa sobre mim não me afeta.
O que um pessoa faz com o que ela pensa sobre mim me afeta.
Mas o que EU penso e faço é uma escolha.
Quando alguém cortar minha frente no trânsito e eu posso escolher calar minha raiva sobre esse próximo disfarçado de "sem noção" que o Universo coloco no meu caminho.
Tem outra forma de desativarmos o caos e a reatividade que vivemos?
Quem eu sou? O que eu estou fazendo aqui? Porque eu me importo tanto com isso?
Todo mundo neste mundo está aqui para fazer alguma coisa para alguém. Tem a ver com espiritualidade, mas também com a evolução humana.
A construção e apoio da comunidade é toda a razão para nossa espécie ter sobrevivido.
Mas se não estivéssemos nem aí para o outro, teríamos sucumbido aos genocídios do tribalismo há muito tempo.
Em algum momento nós vamos abrir mão da nossa individualidade, da subjetividade e até mesmo da privacidade em nome de uma segurança que o grupo ou a comunidade oferecem.
O lugar do humano é de desamparo natural. A gente cresce precisando que outro humano nos segure. De bebês até idosos.
Para viver esse acordo implícito da vida precisamos entender que o outro, mais do que um direito, faz um favor ao pensar e fazer algo diferente de mim.
O outro me desafia a aprender mais sobre mim e sobre o que acredito saber.O outro me força a um exercício mental para de forma clara e educada expor minhas ideias e as atitudes que a sustentam.
Eu posso escolher pensar que não sou lerdo no trânsito, mas cuidadoso...
Ou eu posso escolher ligar o míssil teleguiado do meu Batmóvel e acabar com esse idiota sem noção.


Então eu paro e penso que são tempos de compreensão, paciência e busca da paz, e não de brigas e raiva.
Todos nós precisamos encontrar, através do outro, a força para investigar o nosso interior e ter coragem de deixar nosso melhor sair.
Isso talvez seja o único sentido do porquê o outro importa.
#comece