O amor que você precisa



Nós temos muitos conceitos e preconceitos sobre a expressão da sexualidade e do prazer.

Temos fortes referências dos papéis a serem cumpridos na expressão da sexualidade como homem e mulher.

De acordo com essa compreensão, um homossexual masculino pode sentir que precisa 'ser mulher', homossexual feminina  a 'ser homem'.

Dessa compreensão simplista nasce também a expressão 'dá/come'.
Ou quem é ‘o homem/a mulher' na relação.

Alguns vivem felizes sem questionar ou refletir a respeito, ou apenas se acostumando a isso por falta de referência para ter uma outra escolha.

Na verdade existem diferentes formas de manifestação do desejo e do masculino e feminino.

Nada de novo no mundo, apenas estamos vendo essas possibilidades de forma menos velada que no passado.

Essas possibilidades se apresentam e de repente nos deparamos literalmente com uma incapacidade em exercer uma outra forma de comportamento, de amor e de expressão sexual e afetiva.

Há um simplismo cômico e trágico no pensamento comum:

Mulher gosta de homem, então mulher é passiva, logo mulher só dá. Então se gay gosta de homem, gay quer ser mulher, logo, gay só dá.

Essa é a verdade que se espera mas não é uma verdade.

A verdade é que ninguém precisa viver uma verdade ou outra sobre a sexualidade, mas sim construir a sua própria verdade.

Existem mulheres que se comportam como ativas na relação.

Exercem um papel de autoridade atribuída ao homem e promovem a liberação do prazer no seu parceiro.

Casais homossexuais também não se restringem aos papéis estabelecidos.

Mas na realidade nem todos, por mais modernos que sejamos, conseguimos organizar esses papéis - puta-santa / ativo-passivo /  dominante / não dominante - internamente, sem conflitos.

AMOR & SEXO

Tanto para heteros como para homos a repressão da expressão sexual e do prazer não permitem o desfrutar em si, de si, do outro e do gozo sem se confrontar com a culpa de, mesmo inconscientemente (ou nem tanto), sentir-se errado em ter prazer, e até mesmo se sentir "sujo".

Então o amor não acontece, porque o desejo por ele já está cortado na base: demonstrar e expressar o desejo já é 'proibido e errado'. 

É preciso muito trabalho para entender como a dinâmica interna da própria sexualidade funciona.

Leandro Karnal cita uma professora de gênero na Unicamp que dava uma palestra e um aluno da sala perguntou quantos gêneros sexuais havia no planeta Terra.

Ela parou, pensou e respondeu: “Provavelmente, 7 bilhões”.

A sexualidade, o amor e suas expressões são únicos.

Descobri-los é um trabalho que envolve o Eu profundo.

Um trabalho em busca em si mesmo sobre as questões de autovalor, de auto desejo, de objetivos de vida, e de compreensão de que amar é um verbo, e deve ser conjugado na primeira pessoa do singular, para só depois ser usado na primeira pessoa do plural ( eu / nós). 

Você está satisfeito com o amor que precisa?