O amor descartável



Amar adquiriu, atualmente, a mesma qualidade de um investimento financeiro.
O lucro esperado é a segurança afetiva.
Calcular racionalmente o amor se tornou a chave para se proteger dos riscos nas relações afetivas.
Triste realidade a nossa, na qual as promessas de compromisso não têm importância a longo prazo, as relações se tornaram descartáveis e facilmente substituíveis. 
Banalizamos as relações humanas... A comunidade que pertencemos, a família, os amigos e enfim o amor. 
Ironicamente desejamos construir laços duradouros e comprometidos, no qual possamos sentir confiança para construir uma relação de companheirismo e parceria. 
Por outro lado ansiamos por vínculos apaixonados, intensas, arrebatadoras, que tragam a sensação imediata de prazer e completude.

Compromisso & Segurança X Liberdade & Intensidade

Esse dilema produz angústia e ansiedade. Exatamente isso que vivemos hoje: angústia e ansiedade.
Sair desse dilema requer escolhas responsáveis e conscientes. Conscientes das dificuldades e consequências de cada uma das escolhas.  Nenhuma delas é perfeita, nem garante felicidade. Aliás, nada a garante. A pessoa que optar por uma relação comprometida irá lidar com "o jeito do outro", que é diferente do "seu jeito".
Irá negociar, aprender a ceder, terá de aceitar muitas formas de ser do outro que não lhe agradam.
Verá o amor inicial esfriar, mas também verá esse amor se fortalecer, e se encher de cumplicidade.
As pessoas que desejarem liberdade e intensidade viverão paixões, afetos loucos, mas também relações idealizadas que rapidamente poderão perder o brilho.
Perceberão que as relações são frágeis e que assim como tiveram um rápido começo podem ter um desfecho repentino.
Compartilham da ideia de que o compromisso a longo prazo é a maior armadilha a ser evitada no esforço por "relacionar-se".
Sentirão igualmente o frio na barriga típico de cada novo início, acreditarão que sempre poderão encontrar alguém mais legal.
Viverão livres, sem dar satisfação, sem cobranças, enfim, sem compromisso nenhum.
Atormentado entre o dilema "compromisso e segurança" versus "liberdade e intensidade", vivemos um profundo sentimento de insatisfação , acreditando que poderia ser mais feliz se tivéssemos feito outra escolha.
A pessoa que está numa relação "segura" deseja a liberdade e a paixão, a outra pessoa, por sua vez, a que vive relações "relâmpago", deseja vínculos duradouros e comprometidos.
É fácil reclamar: do outro, da falta de sorte no amor, do quanto o mundo não gira em torno do próprio umbigo.