Deus é Gay?

Deus é Gay por Andre Kummer
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As religiões dominantes, e com isso me refiro especificamente a maior parte das formas de cristianismo, judaísmo, islamismo, hinduísmo e budismo, perseguem ou, no melhor dos casos, ignoram a diversidade sexual.

O prazer na relação heterossexual também não é bem visto e apenas se permite sexo com finalidade reprodutiva.

Mulheres são colocadas em segundo plano e toleradas na figura de sofredoras.

Essas tradições homofóbicas, através do abuso e da negligência, infligem danos psíquicos horrendos em todos, mas notavelmente sobre as minorias.

Elas prejudicam perpetuando noções falsas de que algumas pessoas são más ou que não existem ou não deveriam existir.

Estas noções falsas são antitéticas à Unidade e ao Amor que são a essência de Deus.

Elas bloqueiam a experiência completa de Deus naqueles que mantêm este ponto de vista.




Deus é Gay por Andre Kummer
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Nesse texto vou usar o termo gay para designar minorias e a diversidade sexual.

O instinto natural de auto preservação e sanidade mental impele muitos gays a abandonarem as religiões tradicionais e sentem um vazio espiritual.

Os que permanecem dentro de instituições religiosas tradicionais precisam se resignar à posição precária de minoria marginalizada.

O dano psíquico e espiritual vem da mensagem não dita mas sentida:

Você pode existir mas não vemos você. Permaneça escondido!

O pecado mais horrendo que as religiões cometem contra os gays é nos ensinar de modo explícito ou através do silêncio que o ser de Deus odeia, exclui ou ignora o ser gay.

Isso inflige o maior dano que uma alma pode sofrer que é a alienação ontológica de sua própria fonte.

Banidos do paraíso, perseguidos e desprezados na terra, os gays são certamente uma tribo perdida vagando pela vastidão do mundo.

Negada a satisfação nas relações mais mundanas, e forçados a se esconder, os gays se sentem como deixados do lado de fora.

Quando falo do Tantra Gay, trato do envolvimento consciente dos gays com o erótico como um caminho espiritual. 

Uma pessoa gay sabe o que as outras pessoas sabem.

Ela também sabe o que estas não sabem, ou não podem se permitir saber.

Uma pessoa gay sabe pela experiência que o amor entre pessoas do mesmo sexo é possível. 

Uma pessoa que não é gay não sabe. 

Uma pessoa gay sabe que gênero e categorias sexuais são coisas fluidas. 

Uma pessoa que não é gay não sabe. Ela não entende isso de uma forma simples e fácil.

A expansão da consciência é a essência do crescimento espiritual e, por esse motivo, a identidade gay é espiritual em essência.

A identidade gay, por ser mais inclusiva, transcende naturalmente muitas das categorias e experiências das identidades não-gays e, por isso mesmo, está mais próxima da Unidade inclusiva, não-dual, que é a essência de Deus.

Deus é Gay por Andre Kummer
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Esta consciência expandida torna o gay um estranho em relação à sociedade convencional.

Ao ser compelido pela confusão entre realidade interior e realidade social, que questiona suposições fundamentais, tais como a natureza do amor e os relacionamentos, ocorre uma oportunidade preciosa e única para a expansão da consciência.

A Espiritualidade do Tantra treina o despertar para além das suposições limitantes a respeito da natureza do Ser.

Neste quesito, ser um gay desperto confere certas vantagens, mas isto também tem um alto custo.

O gay desperto (que saiu dos modelos e estereótipos) obtém uma consciência além do comum.

A sociedade considera o seu conhecimento proibido, um conhecimento vergonhoso.

Ele aprende rapidamente que precisa esconder o que sabe para proteger os não gays, homofóbicos, de “verdades terríveis”.

Desta forma proteger-se da ira dos ignorantes.

O desejo instintivo de auto preservação pode induzi-lo a escondê-la tão bem que ele a esconde de si mesmo.

Perde então o dom daquela consciência, deixando-lhe apenas sentimentos de inferioridade, vergonha, rejeição e medo.

Ao internalizar a homofobia, ele se torna perigoso para si mesmo e para os seus pares.

Ele reprime, modelando-se a um pensamento socialmente aceitável, não-gay. 

Um falso ser em detrimento do seu verdadeiro ser.

Quando acorda para os anseios espirituais que são seu direito natural, é normal que ele tente se aproximar de Deus através das formas e tradições da sociedade.

Mas ele chega ao caminho espiritual com as suas energias psíquicas divididas.

Frequentemente em conflito, e descobre que o Deus da sociedade não tem lugar para o seu Ser gay verdadeiro. 

A não ser que ele se comporte e fique "bem quietinho".


Baseado na obra de Willian Schindler