Como viver com a ansiedade dos tempos modernos


Nos últimos 50 anos, apesar do aumento no padrão de vida no mundo, os níveis de felicidade não se alteraram, e as doenças mentais, transtornos de ansiedade, pânico, narcisismo e depressão sobem.

Quando você estuda marketing, a primeira coisa que você aprende é que o medo vende bem. Se você faz uma pessoa se sentir inadequada ou inferior, ela vai se calar e comprar algo para se sentir melhor. 

Um sistema capitalista comercializa tudo constantemente, promovendo uma sociedade onde as pessoas constantemente se sentem inadequadas e inferiores.

É engraçado, muitas pessoas que viajam para países como o Butão afirmam que as pessoas estão "mais felizes" lá. Muitas vezes fazem algum discurso simplista sobre o materialismo e como todos seríamos mais felizes se soubéssemos viver com menos.

Mas o que ocorre é que essas pessoas não são mais felizes, mas são menos ansiosas e menos estressadas. Elas são mais orientados para a família e a comunidade. Elas se sentem socialmente aceitas e menos ansiosas socialmente, simplesmente porque eles precisam ser. É assim que eles sobrevivem. 

O filósofo Alain de Botton escreveu sobre isso em seu livro Status Anxiety . Nos séculos passados, ele diz, as pessoas sabiam onde elas se encaixam na ordem social. Se você nasceu um camponês, você sabia que você era um camponês. Se você nasceu um senhor, você sabia que você era um senhor. Não havia mobilidade nem oportunidade, e não havia nenhum estresse para avançar. Você não era responsável por seu direito de nascimento, então você aceitava e seguia em frente.

Mas em uma sociedade meritocrática, algo muda. Em uma meritocracia, se você é pobre, e tem sucesso e depois perde, não é um acidente. É pior. É sua culpa. Você é o fracasso. Você é quem perdeu tudo. 

Isso faz com que as pessoas vivam engasgadas com um medo constante de perda e inadequação. 

Alain De Botton não argumenta que as sociedades feudais ou as sociedades pobres são de alguma forma melhores. Ele simplesmente diz que, quando uma sociedade muda o preço que as pessoas pagam pelo aumento do padrão de vida e da mobilidade social é um aumento no estresse e na ansiedade.

Afinal, quanto maior a oportunidade que tem, maior a ansiedade por não desperdiçá-la. Assim precisamos ter melhores notas, conseguir um trabalho melhor, ser pessoas mais atraentes, ter passatempos incríveis, fazer mais amigos, ser mais apreciados e mais populares. Contentar-se com o que temos não é suficientemente bom. 

Hoje vivemos com mais informações do que qualquer outro ponto da história humana e está teoricamente acessível instantaneamente para todos nós. 

Mas quando você combina um sistema capitalista com um fluxo infinito de informações, um efeito colateral é ser constantemente lembrado da infinita quantidade de maneiras que você não é bom o suficiente.

Seus vizinhos tem um carro novo, então agora precisamos de um carro novo. Seu cunhado esta redecorando a casa, então agora você precisa disso. Seu colega de trabalho fez uma viagem à China, então agora você precisa viajar para algum lugar exótico.

Agora imagine que há dois milhões de pessoas para acompanhar: isso é a internet.

A maioria de nós não percebe essa inveja conscientemente. Estamos inconscientemente medindo-nos uns contra os outros constantemente. Isso desempenha um papel importante na forma como nós nos definimos, quer queiramos ou não.

Este não é um argumento contra o capitalismo ou a internet. É apenas um fato. Hoje, é impossível não se lembrar de como alguém, em algum lugar, está fazendo algo que é muito mais legal do que você, e somos lembrados disso constantemente.

É uma ironia amarga o fato da internet promover também inadequação online.

Eu tenho dúzias de pessoas que aparecem no meu feed de notícias do Facebook falando o tempo todo sobre como criaram seu próprio negócio, seguiram sua paixão, construíram uma marca pessoal, e fazem algo louco e único. 

Eu sou especial. Eu sou único. Estou fazendo algo diferente. Olhe para mim. Eu sou diferente, certo?

Não se deixe arrastar por toda essa mídia e marketing que diz quem você deve ser e o que pensar. A única pergunta que vale a pena ser respondida é o que realmente te faz feliz.

Ser especial não é tão especial. Por que, mesmo que você chegue nesse lugar dourado, ainda se sentirá frustrado. Você ainda se sentirá sozinho. Você ainda sentirá como se devesse ter feito mais. Isso é insaciável.

Na maior parte das vezes a ansiedade que sentimos e apenas a falsa ideia de que precisa se ajustar a algo que não tem nada a ver conosco. Torne-se especial sendo o que é.

Você não precisa provar nada a ninguém, incluindo você mesmo.


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