A pessoa que ninguém pode amar


Quando estamos escondendo nossa própria dor, é quando ela nos pega de jeito.

Você, eu e muito outros demoramos anos para construir essa pessoa que somos. 

Homens e mulheres têm se esmerado intensamente em construir suas vidas.

Têm casas e apartamentos fabulosos, planos de saúde e previdência privada, seguros contra incêndio e roubo, fazem viagens pelo mundo, mas não tem nenhuma garantia contra a solidão que impera em suas vidas.

Nos tornamos pessoas que ninguém pode amar.

Alguma coisa parece ter dado errado nessa receita de vida que tentamos seguir. A maioria está só.

Continuamos a ser um desastre em relacionamentos. E aí talvez esteja a maior verdade que precisamos admitir.

Não é apenas sexo que nós queremos.


Queremos e precisamos de gente que cuide para ser cuidada, de uma cama limpa e um beijo na bochecha. 

Precisamos admitir que o melhor lugar para se estar é dentro de um abraço e precisamos criar esse espaço, sem ansiedade, em nossas vidas.

Precisamos ser honestos conosco para dizer que não sabemos como fazer isso, mas que estamos dispostos a aprender.

Estamos passando por uma transição entre as relações baseadas entre opostos para uma relação entre semelhantes.    

Apesar do quadro parecer estar se deteriorando, as relações frouxas e a fidelidade em baixa, as coisas estão mudando.

As relações por afinidade (não por opostos) vão se consolidar e se estabelecer com relacionamentos de mais longa duração. 

Se pudermos admitir nossas fraquezas como pessoa, talvez nos tornemos alguém que se pode amar.