Será que vivo um amor platônico?


A Filosofia ensina que o amor, para Sócrates e Platão, é algo essencialmente puro. O amor é desprovido de paixões.

Paixões são essencialmente cegas, materiais, rápidas e falsas.

O amor platônico, não se fundamenta num interesse, e sim na virtude.

Platão criou a teoria do mundo das idéias. É um mundo onde tudo é perfeito. O mundo real tudo é uma cópia imperfeita desse mundo das idéias.

Portanto amor platônico, ou qualquer coisa platônica, se refere a algo que seja perfeito, mas que não existe no mundo real, apenas no mundo das idéias.

Tão, mas tão perfeito que só existe no mundo das idéias ou nos contos de fada.

Mas se você vive ou viveu um amor platônico, deve ter percebido que ela passa por três estágios.
Esperança – Despeito – Rancor

A esperança, o primeiro estágio, começa com uma declaração de amor, recebida por sinais ou mesmo telepaticamente, ou por declarações públicas, que o portador da síndrome entende como tendo sido dirigidas a ele. Ou seja, é pirado mesmo.

O desrespeito vem quando o sentimento não é correspondido, até porque é desconhecido pelo alvo do mesmo, e pode se transformar em agressão física ao objeto do delírio.

Segue-se um rancor bestial, algumas vezes destilado vida afora.

Em maior ou menor grau, encontram-se histórias de perseguidores, admiradores e pretendentes, de ambos os sexos, que confundem obsessão com amor.

Esse tipo de manifestação de afeto doentio e ilusório desenvolve-se em sujeitos com traços de personalidade hipersensível, desconfiados ao extremo e que se acreditam superiores às outras pessoas.

Por isso, seu objeto de afeição delirante se destaca em inteligência, posição social, aparência física, ou uma combinação desses atributos.

A ilusão de ser amado por alguém especial é uma forma de escapar da solidão inerente à dificuldade de se relacionar de forma real e igualitária, significando a impotência de estabelecer um vínculo sadio. Estamos cansados de gente que acha que precisa, mas não ama.

Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.