Ele É e Basta!

Ele É e Basta! por André Kummer


O nome de batismo dele era João. Filho de pai rico, dono de uma grande rede de comércio. Um dia cansou da vidinha boa. O pai disse que se fosse embora iria sem nada.


Aceitou. Tirou o terno Armani, o relógio MontBlanc, a carteira e os sapatos Prada. Parecia cena de novela.

Todo mundo correu para ver o filhinho do chefão andando pelado pelos corredores.

Antes de sair pegou um saco de algodão usado para limpar o chão com a faxineira terceirizada. Na rua não chamou atenção. Era mais um surtado na multidão e ninguém tinha tempo para mais um maluco.

Arrumou uma terrinha no interior e foi viver meio hippie. Dali um tempo um amigo chegou, depois outro e outro… Todos cansados da vidinha sem sentido que estavam vivendo.

O nome dela era Chiara. Ela veio depois. Encontrou-se com ele escondida por dois anos. Um dia chegou com os cabelos louros raspados e disse: “Vou ficar.”

Arrumaram uma casinha para ela ali perto.


Eram assexuais. Não transavam. Maluquice total. Um dia ele ficou com muito tesão. Atirou-se em uma roseira. Os espinhos rasgaram a carne.


Viviam bem. Ele era meio animista, dizia que os animais e as plantas, o sol e a lua eram irmãos. Chamava Chiara de “minha plantinha”.


O negócio cresceu, veio mais e mais gente interessada pelo novo modelo de economia, sustentabilidade, uma vida mais simples.

Logo foi feito um escritório, uma biblioteca, listas de mail, visitas guiadas…

Ele ficou triste. Não era aquilo que queria. Foi falar com ela.

“você foi implacável” ela disse. “Abandonou casa, dinheiro, pais, sociedade, venceu o medo do ridículo e do desprestígio. Abandonou tudo com alegria por algo maior, e se agora sente tristeza é porque não quer abandonar a última coisa: tudo que fez até agora. Ainda não é completamente livre nem feliz… Solta e dá o salto mortal. Solta o teu ideal, teu sonho com gosto e alegria e entregue-se a essa realidade que é. ELE É o que É. Então vai saber o que é a perfeita alegria, a perfeita liberdade e a perfeita liberdade.”

Ele sentiu que o sol nascia dentro de si. Fez o que ela disse.

Ele não foi um Steve Jobs. Não começou na garagem do pai. Não foi um empreendedor.

Ele viveu fora e à margem do sistema e da sociedade. Não gostaria de ver a dimensão que sua ideia de viver com e como os pobres se tornou.

Nós o conhecemos como São Francisco, e ela como Santa Clara.

“DEUS É E BASTA!” Repetia Francisco após a conversa com Clara.

Abriu mão de tudo, por duas vezes, para viver conforme o seu coração. 

Do que nós precisamos abrir mão para viver a verdade do nosso coração?



Para saber mais:




ELE É E BASTA!