Tudo bem com o senhor Pai?

Tudo bem com o senhor Pai por André Kummer
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“Entre um homem e outro sempre há um abismo intransponível. Eles nunca conseguem estender completamente um ao outro. Por isso um homem nunca recebe qualquer ajuda íntima, qualquer amparo cordial de outro homem. Mas recebe de sua mãe, sua irmã ou sua esposa.”
O Fauno de Mármore, de Nathaniel Hawthorne

Filhos de pais divorciados, filhos homossexuais, filhos de mães solteiras ou de pais que passam mais tempo no trabalho do que em casa muitas vezes não tem um exemplo vital de masculinidade enquanto crescem.
A figura do paterna nos ensina a lidar com as frustrações da vida, sem um pai ou mentores homens, muitos se veem desorientados, incertos de como lidar com suas dificudades, e podem se tornar carentes, emocionalmente inseguros e para sempre meninosm nunca homens.

Existem três instituições sociais básicas que historicamente têm servido para transformar meninos em homens:

Família – Religião – Educação

Contudo, a influência masculina nessas instituições tem diminuido muito ao longo do tempo.
Na família durante o período pré-industrial, a casa de um homem também era o seu local de trabalho. Para o camponês e o artesão, o “dia de trazer o filho para o escritório” era todo dia. Pai e filho trabalhavam lado a lado do nascer ao pôr do sol. Os pais ensinavam pelo exemplo, não apenas inseriam seus filhos no ofício, mas transmitiam aos poucos lições sobre trabalho e virtude.

Essa relação foi quebrada pela Revolução Industrial, uma vez que os pais foram forçados a abandonar as terras e as oficinas para ocupar um lugar na linha de montagem. Uma nítida fronteira foi traçada entre a casa e o local de trabalho. Os pais saíam de manhã e só voltavam dez, doze horas depois.

O ideal (que sempre foi mais ideal do que real) da mãe em casa e do pai no trabalho persistiu até os anos 1950. Então as mães também saíram para trabalhar e os filhos foram para alguma instituição, ficavam sozinhos ou com parentes.

Na educação até meados do século XIX, a ampla maioria de educadores era composta por homens. À medida que algumas denominações cristãs se tornaram mais liberais, a ênfase no pecado das crianças foi substituída pelo foco na necessidade de elas serem cuidadosamente educadas dentro da moralidade, uma tarefa que, acreditava-se, seria mais adequada as mulheres, especialmente freiras. Atualmente professores também são mal remunerados, o que não atrái homens para o magistério.

A terceira instituição que historicamente transformava meninos em homens é a religião. Durante o século passado, para a maioria, essa religião era a católica.

No entanto as igrejas estão longe de serem um refúgio da masculinidade. Mulheres costumam ser mais afeitas à religiosidade do que homens – e isso se mostra verdadeiro independentemente da época, do lugar ou da fé. Os pastores cristãos, de forma consciente ou não, naturalmente adequaram seu estilo e programas ao seu público principal.

O atual estado das coisas é que com pais ausentes na criação, poucos professores e igrejas lutando para se comunicar com os homens, muitos da atual geração podem sentir, e com razão, que foram “criados por mulheres”.

Há algum problema nisso tudo? Nenhum. Não há nenhum problema em ser criado por mulheres e ter a companhia delas a maior parte do tempo.
Mas meninos, e muitos homens adultos, ainda sentem a falta de um pai amoroso e carinhoso. Homens, e mesmo os homens gays, não aprenderam a ser afetivos uns com os outros. Podemos abraçar e beijar nossas mães mas quando chegamos perto do pai estendemos a mão e perguntamos se está tudo bem.

Como lidar com isso? Como será essa nova masculinidade que precisa ser inventada? Como demonstrar afeto e força? Parceria e lealdade?

Como isso tem afetado os relacionamentos amorosos, tanto de heteros quanto de homossexuais?

Tudo está realmente uma bagunça. Mas muita coisa já mudou e alguns homens se sentem “liberados” do ideal de serem o macho provedor ausente.
Existem mais homens que valorizam o amor do que o dinheiro e o trabalho.
E não porque sejam preguiçosos, mas porque não estão dispostos a trocar o tempo passado com as pessoas que amam por uma aposentadoria tranquila e solitária.

Muitas questões ainda precisam ser conversadas pois já passou da hora, a exemplo da Bra-burming, a queima dos sutiãs pelas feministas que aconteceu em 7 de setembro de 1968 nos EUA, de nós homens, queimarmos as nossas cuecas e fazermos isso de verdade.





Originalmente publicado no site Art of Manliness sob o título de A Generation of Men Raised by Women.
Tradução de Danilo Freire, com revisão de Alex Castro e edição de Jader Pires


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