Uma Geração de Homens Criados por Mulheres



Frutos de pais divorciados, mães solteiras ou pais que passavam mais tempo no trabalho do que em casa. Homens que não tiveram um exemplo vital de masculinidade enquanto cresciam.

“Entre um homem e outro sempre há um abismo intransponível. Eles nunca conseguem estender completamente um ao outro. Por isso um homem nunca recebe qualquer ajuda íntima, qualquer amparo cordial de outro homem. Mas recebe de sua mãe, sua irmã ou sua esposa.”

O Fauno de Mármore, de Nathaniel Hawthorne

Sem mentores homens, muitos dessa geração se veem desorientados, incertos de como lidar com uma indescritível, porém intensa, carência em suas vidas.
Há três instituições sociais básicas que historicamente têm servido para transformar meninos em homens:

Família – Religião – Educação

Contudo, a influência masculina nessas instituições diminuiu muito ao longo do século passado.

A família durante o período pré-industrial, a casa de um homem também era o seu local de trabalho. Para o camponês e o artesão, o “dia de trazer o filho para o escritório” era todo dia.

Pai e filho trabalhavam lado a lado do nascer ao pôr do sol. Os pais ensinavam pelo exemplo, não apenas inserindo seus filhos no ofício, mas transmitindo aos poucos lições sobre trabalho árduo e virtude.

Essa relação foi quebrada pela Revolução Industrial, uma vez que os pais foram forçados a abandonar as terras e as oficinas para ocupar um lugar na linha de montagem.

Uma nítida fronteira foi traçada entre a casa e o local de trabalho. Os pais saíam de manhã e só voltavam dez, doze horas depois.

O ideal (que sempre foi mais ideal do que real) da mãe em casa e do pai no trabalho persistiu até os anos 1950. Agora as mães também saem para trabalhar e os meninos ficam em alguma instituição, sozinhos ou com parentes.

Na educação até meados do século XIX, a ampla maioria de educadores era composta por homens.

À medida que algumas denominações cristãs se tornaram mais liberais, a ênfase no pecado das crianças foi substituída pelo foco na necessidade de elas serem cuidadosamente educadas dentro da moralidade, uma tarefa que, acreditava-se, seria mais adequada ao sexo frágil.

Ao mesmo tempo, as mulheres estavam se casando e tendo filhos mais tarde, o que lhes dava mais tempo para lecionar antes de constituir família. O resultado foi uma completa inversão de gênero no cenário da profissão de educador.

A terceira instituição que historicamente transformava meninos em homens é a religião. Durante o século passado, para a maioria dos norte-americanos, essa religião foi o cristianismo.

No entanto, se a casa havia se tornado um lugar completamente feminilizado, a igreja estava longe de ser um refúgio da masculinidade.

Mulheres costumam ser mais afeitas à religiosidade do que homens – e isso se mostra verdadeiro independentemente da época, do lugar ou da fé.

Isso significa que elas têm sido historicamente mais propensas a participar dos cultos e à participação ativa numa congregação.

Os pastores cristãos, de forma consciente ou não, naturalmente adequaram seu estilo e programas ao seu público principal.

O Jesus que os homens encontravam nos bancos das igrejas tornara-se uma alma delicada e abatida caminhando por Jerusalém afagando a cabeça das crianças, falando sobre as flores e chorando.

O atual estado das coisas é que com pais ausentes na criação, escolas povoadas por professoras e igrejas lutando para se comunicar com os homens, muitos da atual geração podem sentir, e com razão, que foram “criados por mulheres”.

Como ficam esses homens?

Como fica o futuro da masculinidade?

É realmente uma bagunça. Muitas coisas permanecem abaixo do ideal, mas também há espaço para um justificado otimismo.

Digam o que quiserem sobre o movimento feminista, mas estou feliz por ter sido “liberado” do ideal da Revolução Industrial de ser o provedor ausente.

Se há uma diferença que eu observo entre a geração dos meus pais e a minha, é que a minha valoriza o tempo em detrimento do dinheiro.

E não porque sejamos preguiçosos, mas porque não estamos dispostos a trocar o tempo passado com as pessoas que mais amamos por uma aposentadoria tranquila.

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Originalmente publicado no site Art of Manliness sob o título de A Generation of Men Raised by Women. Tradução de Danilo Freire, com revisão de Alex Castro e edição de Jader Pires. Referência bibliográfica de algumas informações: Manhood in America: A Cultural History, de Michael Kimmel publicado no site Papo de Homem.

Com amor,



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